Entenda prisão de vereador e funcionário da Câmara Municipal suspeitos de envolvimento em assassinato de Leandro Xavier

O Vereador Franscico Tomaz da Silva, presidente da Câmara Municipal de Ituiutaba, foi preso e acusado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), de ser o mandante do assassinato do moto-taxista e pré-candidato a vereador Leandro Lima Xavier, de 34 anos.

O início das investigações se deu quando foi apreendida uma arma de calibre 38, com o segurança da Câmara Municipal de Ituiutaba, Ronair Barbosa, conhecido por Cateto, sendo este acusado de participação como intermediário no homicídio que vitimou o pré-candidato a vereador.  O crime ocorreu na Avenida Minas Gerias, na empresa da vítima, em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, onde vários disparos foram efetuados no início da noite do dia 26 de junho de 2020.

A equipe também deu cumprimento a quatro mandados de busca e apreensão, sendo três em endereços pertencentes ao vereador, mais conhecido como Chiquinho, sendo este investigado como mandante do crime. Com ele foi encontrado um revólver e munições, e outras duas armas nos locais de busca apreensão, sendo uma delas sem registro. O vereador foi encaminhado à delegacia por porte ilegal de arma de fogo.

Também foi encontrado de posse do vereador a quantia aproximada 100 mil reais, dinheiro este, que segundo ele, conseguiu através da venda de um terreno há alguns dias em Ituiutaba.

Segundo o Delegado Regional, responsável pela investigação, Dr. Carlos Fernandes, são levadas em conta, três linhas de investigação, onde a primeira trata de um desentendimento com outras pessoas, onde agressões multas foram realizadas. A segunda fala de uma linha política, onde a vítima em redes sociais falava de outros pré-candidatos, com críticas severas. E a terceira linha de investigação é que ele era pré-candidato, o que também poderia ter motivado o crime.

Ainda de acordo com o delegado, Cateto é considerado intermediário, devido não ter cometido diretamente o crime, porém, após feita a balística em conjunto pelos peritos das delegacias regionais de Ituiutaba e Uberlândia, ficou comprovado que a arma apreendida com ele, era a mesma utilizada no homicídio consumado de Leandro, deixando assim, como participante do atentado contra a vida do moto-taxista.

Evidências como imagens e outras provas foram coletadas pela equipe da Polícia Civil de Ituiutaba, sendo utilizadas como meio de comprovação de que um dos envolvidos havia passado várias vezes pelo local onde ocorreu o assassinato. Diante dos fatos, foi representado pela prisão do envolvido com provas “robustas”, que de acordo com Dr. Carlos Fernandes, a frequente passagem do veículo dirigido por Ronair e a arma encontrada com ele no dia de sua primeira prisão, caracterizou sua participação efetiva no crime.

O Delegado ressaltou em coletiva que o motivo do crime foi um vídeo que a vítima fez denegrido a imagem do acusado Francisco (Chiquinho), e que o deixou com motivos para que fosse encomendada a morte de Leandro Xavier. Ele diz que o acusado que foi preso com arma não tinha motivos suficientes para encomendar o assassinato, onde, ainda nas palavras do Dr. Carlos Fernandes, só resta o mandante com motivos fortes e suficientes para pedir que fosse cometido o assassinato.

Após o pagamento de R$ 20 mil reais em fiança, o vereador foi solto para responder o processo em liberdade.

Veja abaixo a coletiva de imprensa concedida pelo Delegado Carlos Fernandes:

Em sua defesa, o vereador ressalta que não encomendou assassinato, e que não tinha motivos, que não conhecia a vítima, e que não teve acesso ao processo, mesmo assim, refuta todas as acusações da Polícia Civil. Respondeu que as armas são documentadas, que a única que não tem documentação é o resolver calibre 38, apreendido com 07 munições intactas.

Ele disse que uma pistola PT 380, encontrada em sua residência não foi apreendida por estar legalizada. A outra arma que também é pistola, só que do calibre 9 mm, está legalizada, porém, por ele não ter permissão de transporte da mesma, e por estar em seu veículo, foi apreendida temporariamente, podendo ser devolvida dentro do prazo legal. Ao se referir sobre o calibre 38, também afirma ter sido adquirida legalmente, contudo, não foi registrada em tempo hábil.

Dinheiro, armas, munições e documentos apreendidos pela PCMG durante operação. Foto: Canal Janela Aberta

Ainda durante sua entrevista, enfatizou que sempre gostou de armas, e é praticante de tiro esportivo, sendo assim, apenas uma esportista, não tendo outras finalidades as armas encontradas em sua posse e em sua residência.

Ao discorrer sobre sua vida profissional, afirmou que não têm redes sociais, que não conhecia a vítima, que não teve contato direto, e que nunca teve atrito com a mesma. Que entregou seus aparelhos celulares com as senhas à polícia civil. E que não tem nada a esconder, que está e irá colaborar com a justiça.

Ademais, enfatiza que o dinheiro apreendido é proveniente de serviços e negócios como empresários do ramo da construção civil, sendo este, o valor R$ 97.470,00.

Ao finalizar, responde que não irá desistir de sua candidatura, e que pretende continuar todo o seu trabalho como vereador até o fim do mandato.

Veja na integra o vídeo abaixo com a coletiva do vereador:

Próximos passos

Carlos Fernandes adianta que, a partir da operação realizada nesta segunda-feira, as investigações vão avançar para identificar o executor dos disparos. “Estamos empenhados nas apurações desde a data dos fatos. Destaco a excelência e o comprometimento dos policiais de todas as carreiras para a efetivação do trabalho de Polícia Judiciária”, assinala.

Após a formalização dos procedimentos na delegacia, o suspeito preso em virtude de mandado foi encaminhado ao sistema prisional. O vereador, conforme previsão legal, efetuou o pagamento de fiança e responderá ao crime de porte ilegal de arma de fogo em liberdade.

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