A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, um alerta sobre o risco de desenvolvimento de pancreatite aguda relacionado ao uso de medicamentos análogos do receptor de GLP-1. O comunicado abrange fármacos populares como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. De acordo com a agência, embora a reação já esteja prevista em bula, o uso fora das indicações aprovadas eleva significativamente o risco deste efeito colateral grave.
O cenário internacional e nacional acende um alerta para as autoridades. No Reino Unido, a agência reguladora MHRA registrou 1.296 notificações de pancreatite e 19 mortes entre 2007 e outubro de 2025. No Brasil, o sistema VigiMed contabilizou 145 notificações de eventos adversos entre 2020 e dezembro de 2025, incluindo seis casos suspeitos de óbito.
O ano de 2025 apresentou um recorde de notificações de pancreatite no país. Confira a evolução anual das notificações registradas. Abaixo, o total de notificações (pancreatite) recebidas por ano, sistema VigiMed (não inclui pesquisa clínica)
Ano/ Notificações:
2020 -1
2021 -21
2022 -23
2023 -27
2024 -28
2025 -45
Em resposta ao aumento de casos e visando maior controle, a Anvisa determinou, desde junho de 2025, que farmácias e drogarias realizem a retenção obrigatória de receitas para esses medicamentos, conforme a RDC nº 973/2025 e a Instrução Normativa nº 360/2025. As prescrições devem ser emitidas em duas vias (uma retida pelo estabelecimento) e possuem validade de 90 dias.
A agência recomenda que pacientes procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Aos profissionais de saúde, a instrução é interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite e não retomá-lo se o diagnóstico for confirmado.
Este alerta soma-se a outras comunicações recentes da Anvisa sobre a classe GLP-1, que incluem riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos (2024) e casos raros de perda de visão associados à semaglutida (2025). A agência reforça que a notificação de qualquer evento adverso deve ser feita pelo sistema VigiMed para garantir o monitoramento contínuo da segurança desses produtos no Brasil.





























































