O número de casos confirmados de mpox em Minas Gerais subiu para 13 em 2026, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A confirmação mais recente ocorreu em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Segundo o órgão, todos os pacientes diagnosticados com a doença apresentaram evolução para cura. Entre os registros confirmados no estado, oito foram identificados em Belo Horizonte. Outros três casos ocorreram em Contagem, um em Ribeirão das Neves, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e um em Formiga, no Centro-Oeste de Minas.
De acordo com a SES-MG, todas as confirmações ocorreram em pessoas do sexo masculino, com idades entre 25 e 56 anos. Em nota, a secretaria informou que mantém monitoramento permanente da situação epidemiológica e reforça a importância da busca por informações confiáveis e da adoção de medidas preventivas. A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox” ou varíola dos macacos, é uma infecção causada pelo vírus mpox, pertencente à família Orthopoxvirus, a mesma da varíola. Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos.
Com a evolução da doença, pode surgir a chamada fase eruptiva, caracterizada por lesões progressivas na pele. As manchas inicialmente avermelhadas evoluem para vesículas, posteriormente tornam-se amareladas e formam crostas. Essas lesões podem aparecer no rosto, na região genital, perianal, nas palmas das mãos e dos pés e também em mucosas. Em casos mais graves, a doença pode apresentar complicações neurológicas e oculares.
Embora a mpox exista há décadas em países africanos, especialmente na República Democrática do Congo, a doença ganhou notoriedade mundial a partir de 2022, quando teve início um surto global. O infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e médico assistente no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, explica que o vírus possui dois grandes grupos genéticos, chamados de clados.

“Essa avaliação indica a circulação do vírus. Classicamente, por exemplo, o 1a circula entre países da África Central, e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos e é o principal responsável pelo surto global de 2022 até o momento”, diz Pinheiro.
A transmissão da doença ocorre principalmente por contato físico direto com lesões na pele antes da cicatrização completa, podendo ocorrer durante relações sexuais ou em outros tipos de contato. O período de incubação pode variar de poucos dias até cerca de três semanas. “É indicado o isolamento até a completa cicatrização de todas as lesões, a fim de evitar a transmissão para outras pessoas”, afirma o médico.
Segundo especialistas, a transmissão também pode ocorrer antes do aparecimento dos sintomas ou por pessoas assintomáticas. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue e sêmen, além de objetos contaminados, também pode resultar em infecção. A transmissão por gotículas respiratórias é possível, mas considerada menos frequente. De acordo com Falci, alguns grupos apresentam maior risco para a doença. “A população de maior risco inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes”, afirma a médica. “No caso das gestantes, principalmente também pelo risco de transmissão vertical e complicações para os fetos.”
Atualmente, o tratamento da mpox é baseado principalmente em terapia de suporte, já que estudos sobre medicamentos específicos ainda não demonstraram eficácia suficiente. A vacinação é considerada a principal forma de prevenção. No Sistema Único de Saúde (SUS), o imunizante está disponível para pessoas com mais de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários da profilaxia pré-exposição (PrEP) e profissionais de saúde que têm contato direto com o vírus.
Apesar disso, Pinheiro alerta para a baixa cobertura vacinal e para o aumento recente de casos suspeitos e confirmados. Além da vacinação, especialistas destacam que medidas preventivas incluem mudanças de comportamento em relação às parcerias sexuais, além do uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde e rigor na higienização de ambientes hospitalares.





























































