A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 15 de abril, uma megaoperação contra uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais no Brasil e no exterior. Entre os presos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais.
Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação investiga crimes de lavagem de dinheiro, com uso de mecanismos sofisticados, como movimentações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Segundo a PF, o grupo também utilizava empresas de fachada e estratégias para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A operação mobilizou mais de 200 policiais federais para o cumprimento de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em Santos (SP). As ordens judiciais foram executadas em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
As investigações apontam que influenciadores digitais desempenhavam papel relevante no esquema, promovendo rifas e sorteios de alto valor, como veículos e imóveis, prática que levantou suspeitas das autoridades. Entre os alvos está Chrys Dias, conhecido por exibir uma rotina de luxo nas redes sociais ao lado de artistas do funk.
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet, que, por sua vez, teve origem na Operação Narco Vela. Esta última apurou o envio de grandes carregamentos de cocaína para a Europa por meio de rotas marítimas a partir do litoral brasileiro.

Durante as diligências, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, joias, armas de diferentes calibres, além de documentos e equipamentos eletrônicos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e restrições societárias para interromper as atividades do grupo e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brandon Coelho Couto Silva, de 27 anos, foi preso em sua residência, em um condomínio de alto padrão no bairro Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Em nota, a defesa informou que ainda não teve acesso ao teor do mandado de prisão e que se manifestará nos autos assim que possível.
O artista já possui passagens anteriores pela polícia. Em 2019, foi detido durante um show em Mato Grosso sob acusação de apologia ao crime. Também foi investigado em outras ocasiões por suposta ligação com o tráfico e participação em eventos financiados por criminosos. Em 2024, ele e sua esposa foram alvos de uma operação contra sorteios ilegais, tendo bens apreendidos — posteriormente devolvidos pela Justiça por falta de comprovação de vínculo com crimes.
Já MC Ryan SP, de 25 anos, foi preso durante uma festa em Bertioga, no litoral paulista. O cantor também acumula histórico de ocorrências policiais, incluindo detenções por direção perigosa e outros episódios envolvendo condutas controversas. Sua defesa declarou que ainda não teve acesso aos autos, que tramitam sob sigilo, e afirmou que todas as movimentações financeiras do artista possuem origem comprovada e regular.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e dimensionar a extensão do esquema criminoso, que pode ter conexões com o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro em larga escala.






























































