A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou a noite desta quarta-feira, 29 de abril, no Senado Federal. Após a derrota no plenário, Messias se pronunciou publicamente, reconhecendo o revés e destacando que o resultado faz parte do funcionamento das instituições democráticas.
Em declaração, o AGU afirmou que enfrentou o processo com transparência e serenidade. “Me submeti a uma sabatina de espírito aberto, falei o que penso e a verdade. A vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano. O plenário falou”, disse, ao agradecer aos votos favoráveis recebidos.
A indicação chegou a ser aprovada anteriormente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com 16 votos a favor e 11 contrários. No entanto, no plenário, Messias não alcançou os 41 votos necessários para confirmação, obtendo 34 apoios, enquanto 42 senadores votaram contra.
Ao comentar o resultado, Messias destacou a dificuldade pessoal diante da rejeição, mas afirmou estar em paz com o desfecho. “Não é simples alguém com minha trajetória passar por uma reprovação. Mas eu aprendi que a minha vida está nas mãos de Deus. Eu cumpri o meu propósito”, declarou. Ele também reforçou que seguirá sua trajetória como servidor público concursado.
Durante sua fala, o advogado-geral da União mencionou ter enfrentado um período de cinco meses de articulações políticas e visitas a parlamentares em busca de apoio, além de críticas e ataques. “Passei por um processo de desconstrução de imagem, com toda sorte de mentiras”, afirmou, sem detalhar os responsáveis.
Nos bastidores, a indicação enfrentou resistência política, especialmente por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio a divergências com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escolha de Messias, em detrimento de outros nomes, também foi apontada como fator de tensão.
O relator da indicação na CCJ, senador Weverton (PDT-MA), classificou a rejeição como uma “injustiça” contra Messias, mas ressaltou o significado político da votação. “Foi uma derrota do governo. Foi um recado ao governo”, afirmou. Essa é a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo.
Apesar do resultado, Messias demonstrou resiliência e afirmou encarar o episódio como parte de sua trajetória. “Eu não encaro isso como fim. É uma etapa do processo da minha vida”, concluiu.





























































