A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, durante a “Operação Vérnix”, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil de Minas Gerais, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo as investigações, a influenciadora é apontada como beneficiária de valores oriundos da facção criminosa, que teriam sido repassados por meio de uma empresa de transportes utilizada como braço financeiro da organização. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em nome de Deolane, quantia considerada suspeita e sem origem comprovada pelos investigadores.
A operação também teve como alvos integrantes do alto escalão do PCC, incluindo Marco Herbas Camacho, apontado como líder da organização criminosa, além de familiares e supostos operadores financeiros. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão.
Deolane havia retornado ao Brasil na véspera da operação, após permanecer algumas semanas em Roma, na Itália, período em que chegou a ser incluída na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Mandados foram cumpridos em sua residência, localizada em Barueri, e em outros endereços ligados à investigada.

As apurações indicam que o esquema de lavagem de dinheiro funcionava a partir de uma transportadora sediada no interior paulista, utilizada para movimentar recursos ilícitos da facção. Interceptações telefônicas e análises financeiras revelaram indícios de movimentações incompatíveis com a renda formal declarada, além de depósitos fracionados, prática conhecida como “smurfing”, para dificultar o rastreamento das transações.
De acordo com a polícia, entre 2018 e 2021, a influenciadora recebeu mais de R$ 1 milhão por meio desse tipo de operação. Também foram identificados repasses a empresas ligadas a Deolane, sem comprovação de prestação de serviços que justificasse os valores.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, e evoluíram ao longo dos anos com a identificação de um complexo esquema financeiro associado à facção criminosa.

A Polícia Civil afirma que a exposição pública e as atividades empresariais formais dos investigados eram utilizadas como mecanismos para ocultar a origem ilícita dos recursos. O caso segue em investigação para aprofundamento das conexões e responsabilização dos envolvidos.






























































