A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve início nesta segunda-feira, 6 de julho, em Washington, como etapa final de uma investigação que pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A sessão segue até terça-feira, 7 de julho, e antecede a decisão definitiva do governo norte-americano, prevista para o dia 15 de julho.
Em análise estão duas possíveis sobretaxas, de 25% e 12,5%, que, se aplicadas de forma conjunta, podem elevar a carga tarifária total para até 37,5% sobre parte significativa das exportações brasileiras. De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4.187 produtos seriam impactados, o que representa um volume de aproximadamente US$ 14,9 bilhões em vendas ao mercado dos Estados Unidos.
Atualmente, esses itens já estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, estabelecida com base na legislação comercial norte-americana e válida até o fim de julho. A nova proposta, no entanto, decorre de uma investigação iniciada em 2025, que avalia práticas comerciais brasileiras consideradas restritivas por autoridades dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, políticas tarifárias, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e questões ambientais.
A audiência em curso também aborda alegações relacionadas a práticas desleais e trabalho forçado, pontos que embasam a possibilidade de aplicação das novas tarifas. Caso confirmadas, as medidas podem representar um aumento expressivo na tributação de produtos brasileiros, muitos deles utilizados como insumos industriais. Segundo a CNI, 62% dos itens potencialmente atingidos são bens intermediários, fundamentais para cadeias produtivas.

Entre os produtos com maior presença no mercado norte-americano estão ferro-gusa, açúcar bruto, álcool etílico, madeira processada, tabaco, granito e derivados químicos, além de itens nos quais o Brasil aparece como principal fornecedor. A entidade destaca que a eventual elevação das tarifas pode impactar não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas e cadeias produtivas nos próprios Estados Unidos, devido ao nível de integração comercial entre os países.
Representantes da indústria brasileira acompanham o processo e participam das discussões em Washington. A expectativa é de que a maioria das manifestações na audiência seja contrária à adoção das medidas.
Paralelamente, o governo brasileiro mantém tratativas diplomáticas em busca de alternativas para reduzir os possíveis efeitos da decisão. Novas reuniões entre autoridades dos dois países estão previstas ainda nesta semana, com o objetivo de negociar condições mais favoráveis ou eventuais exceções.
O Brasil optou por não participar diretamente da audiência pública, avaliando que o impacto das sessões sobre a decisão final seria limitado. Em vez disso, encaminhou às autoridades norte-americanas um documento com argumentos técnicos e jurídicos em defesa de suas práticas comerciais, contestando os pontos levantados na investigação.






























































