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Morre Renato Machado, jornalista e ex-apresentador do Bom Dia Brasil, aos 83 anos

O jornalista Renato Machado, um dos nomes mais emblemáticos da televisão brasileira, morreu na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, aos 83 anos. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Com uma trajetória que atravessou mais de quatro décadas, Renato construiu uma carreira sólida e respeitada no telejornalismo, marcada por passagens por alguns dos principais noticiários da TV Globo. Ao longo dos anos, esteve à frente de programas como Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e RJTV, além de integrar a bancada do Jornal Nacional e atuar como correspondente internacional.

Carioca, Renato Machado tinha formação em Direito e Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Iniciou a carreira no fim da década de 1960 como repórter do Jornal do Brasil e, posteriormente, ganhou experiência internacional na BBC, onde trabalhou como apresentador e editor.

A chegada à TV Globo ocorreu em 1982, período em que passou a se destacar em coberturas de grande repercussão. Entre elas, a Guerra das Malvinas, além de eventos internacionais como os atentados em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl, acompanhados durante sua atuação como correspondente em Londres.

De volta ao Brasil no fim dos anos 1980, assumiu o papel de repórter especial e, anos depois, consolidou sua presença no jornalismo diário ao comandar o Bom Dia Brasil por mais de uma década, entre 1996 e 2010. Nesse período, participou de mudanças importantes no formato do telejornal, contribuindo para torná-lo uma das principais referências do noticiário matinal no país.

Após deixar a apresentação do programa, voltou a atuar como correspondente e, posteriormente, integrou a equipe do Globo Repórter, onde produziu reportagens de destaque com foco social e cultural. Um dos trabalhos mais reconhecidos abordou iniciativas que transformam vidas por meio da arte, com histórias no Brasil e no exterior, e chegou a ser indicado ao Emmy Internacional.

Renato Machado se despediu da TV Globo em 2021, encerrando uma carreira marcada pela versatilidade, experiência internacional e compromisso com a informação.

Reconhecido pela elegância na condução das notícias e pela profundidade de suas reportagens, ele deixa um legado importante para o jornalismo brasileiro.

Governo dos EUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira, 15 de julho, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, em uma medida que pode impactar diretamente as exportações e ampliar a tensão comercial entre os dois países.

O anúncio foi feito pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer. Segundo ele, a lista completa de produtos atingidos — assim como as exceções — será divulgada oficialmente nas próximas horas. Entre os itens que devem ficar fora da sobretaxa estão a carne bovina e o café.

A decisão ocorre em meio a divergências comerciais e gerou reação do governo brasileiro, que voltou a classificar a medida como injusta. Autoridades destacam que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial bilateral, mesmo com o volume expressivo de exportações brasileiras para o mercado americano.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4.200 produtos podem ser afetados pela nova tarifa, o que representa aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Entre os itens mais expostos estão produtos industriais, como ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Diante do cenário, o Ministério da Fazenda avalia medidas para reduzir os impactos sobre empresas brasileiras, incluindo a possibilidade de edição de uma medida provisória semelhante à adotada anteriormente para apoiar setores atingidos por restrições comerciais.

Especialistas ouvidos apontam que a decisão pode trazer efeitos imediatos sobre contratos e competitividade. Para o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional, a medida vai além do campo econômico e reflete uma estratégia mais ampla de política externa dos Estados Unidos, utilizando o comércio como instrumento de pressão.

Já o especialista em comércio exterior Jackson Campos destaca que o aumento das tarifas tende a elevar a insegurança nas relações comerciais, levando empresas a revisar investimentos, renegociar preços e buscar novos mercados.

Entidades do setor produtivo também demonstram preocupação. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que a medida pode pressionar margens, provocar substituição de fornecedores brasileiros e exigir renegociações contratuais. A entidade ressalta a importância de maior clareza sobre os produtos atingidos e o cronograma de implementação.

Além dos impactos no Brasil, analistas apontam que a medida pode gerar reflexos na economia americana, com possível pressão sobre preços. No entanto, o repasse dos custos ao consumidor final dependerá das estratégias adotadas por empresas importadoras e da capacidade de absorção desses aumentos.

Com a nova tarifa, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entra em um momento de maior incerteza, enquanto empresas e governo avaliam os próximos passos diante do cenário.

Força-tarefa investiga organização criminosa suspeita de tráfico e lavagem de dinheiro em MG e GO

Uma ação integrada das forças de segurança cumpriu, na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, mandados judiciais contra um grupo investigado por envolvimento com o tráfico de drogas e crimes financeiros em Minas Gerais e Goiás. A ofensiva faz parte da Operação Tekel, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Minas Gerais (FICCO/MG), com apoio da Polícia Civil de Goiás.

Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e ordens de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados. As diligências ocorrem nas cidades de Uberlândia (MG), Itumbiara (GO) e Bom Jesus de Goiás (GO).

Além das medidas cautelares, a Justiça autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 2,4 milhões por investigado, como forma de interromper a movimentação financeira suspeita e preservar recursos que podem ter origem ilícita.

As investigações tiveram início em 2025 e apontam para a existência de um grupo estruturado, com atuação interestadual e divisão de funções. Segundo os órgãos responsáveis, há indícios de que os envolvidos utilizavam terceiros e realizavam movimentações incompatíveis com a renda declarada para ocultar a origem de recursos.

A apuração segue em andamento para detalhar a extensão das atividades do grupo e identificar outros possíveis participantes.

A FICCO/MG reúne diferentes instituições de segurança pública, incluindo a Polícia Federal, as polícias Civil e Militar de Minas Gerais, a Polícia Penal e a Secretaria Nacional de Políticas Penais, atuando de forma integrada no enfrentamento ao crime organizado.

Foto: Polícia Federal

PF cumpre mandados e investiga comércio clandestino de canetas emagrecedoras em cidades de Minas

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, a segunda fase da “Operação Sanitas”, com foco no combate à comercialização irregular de medicamentos. A ação dá continuidade às investigações iniciadas na etapa anterior da operação.

Ao todo, estão sendo cumpridos 11 mandados judiciais de busca e apreensão nos municípios de Coronel Fabriciano (MG), Caratinga (MG) e Belo Horizonte (MG).

De acordo com a corporação, o avanço das apurações revelou indícios da atuação de novos grupos envolvidos em um esquema que inclui a importação clandestina, o armazenamento e a venda de produtos sem autorização sanitária no país. Entre os itens investigados estão medicamentos injetáveis voltados ao emagrecimento, com substâncias como tirzepatida e retatrutida, cuja procedência é estrangeira.

As investigações apontam que esses produtos seriam fracionados e distribuídos de forma irregular, sem controle dos órgãos de vigilância, o que pode representar riscos à saúde dos consumidores. A Polícia Federal também apura estratégias de divulgação utilizadas para ampliar o alcance das vendas.

Segundo os investigadores, a operação busca desarticular toda a cadeia envolvida, desde a entrada dos medicamentos no país até a comercialização ao público final.

O nome da operação, “Sanitas”, faz referência à saúde e à necessidade de garantir condições adequadas de controle sanitário, especialmente diante da circulação de substâncias sem certificação.

A Polícia Federal não informou, até o momento, se houve prisões. As investigações seguem em andamento.

Foto: Polícia Federal
Foto: Polícia Federal
Foto: Polícia Federal

Homem morre após ser atropelado por caminhão na MG-190, em Nova Ponte (MG)

Um homem morreu após ser atropelado na madrugada desta quarta-feira, 15 de julho, na rodovia MG-190, na altura do km 82, em Nova Ponte (MG), no Triângulo Mineiro. A vítima ainda não foi identificada.

De acordo com informações da Polícia Militar Rodoviária, o acidente aconteceu por volta das 3h40, mas a equipe foi acionada apenas às 5h47. No local, os militares encontraram um caminhão envolvido no atropelamento e constataram o óbito da vítima.

O motorista do veículo, um homem de 57 anos, relatou que seguia no sentido Uberaba (MG)–Coromandel (MG) quando, ao se aproximar de uma curva, se deparou com um indivíduo parado no meio da pista de rolamento. Segundo ele, não houve tempo hábil para desviar, o que resultou no atropelamento.

Ainda conforme a polícia, o condutor não sofreu ferimentos e já havia sido atendido por uma equipe de resgate da concessionária responsável pelo trecho, a EPR Triângulo. A documentação do caminhão estava regular e o veículo foi liberado no local.

A vítima, do sexo masculino, não portava identificação no momento do atendimento. Foi constatado, porém, que ela utilizava tornozeleira eletrônica.

A perícia técnica foi acionada e se deslocava de Araxá (MG) para realizar os levantamentos no local do acidente. As circunstâncias do caso serão investigadas.

Argentina vira sobre a Inglaterra e garante vaga na final da Copa do Mundo

A Argentina está novamente na final da Copa do Mundo. Em uma semifinal marcada por equilíbrio e emoção até os minutos finais, a seleção sul-americana venceu a Inglaterra por 2 a 1, nesta quarta-feira, 15 de julho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e manteve viva a busca pelo tetracampeonato.

O confronto começou truncado, com muitas faltas e poucas oportunidades claras de gol. Durante boa parte do primeiro tempo, as equipes tiveram dificuldades para criar jogadas ofensivas. A melhor chance inglesa surgiu aos 33 minutos, quando John Stones cabeceou para fora após cobrança de falta. Do lado argentino, Enzo Fernández arriscou de longe, mas sem perigo.

Na etapa final, o ritmo mudou. Logo nos primeiros minutos, a Argentina levou perigo com Julián Álvarez, que obrigou o goleiro Jordan Pickford a fazer duas boas defesas. Apesar da pressão sul-americana, foi a Inglaterra quem abriu o placar: aos 10 minutos, Anthony Gordon apareceu livre na segunda trave para completar cruzamento e fazer 1 a 0.

A desvantagem fez a Argentina avançar suas linhas e assumir o controle da partida. A equipe passou a pressionar em busca do empate e criou boas oportunidades, como na cabeçada de Nico González, defendida de forma espetacular por Pickford, e na bola na trave de Alexis Mac Allister.

A insistência argentina foi recompensada nos minutos finais. Aos 40, Enzo Fernández acertou um chute de fora da área para deixar tudo igual. Pouco depois, Lionel Messi fez jogada pela linha de fundo e cruzou na medida para Lautaro Martínez, que havia saído do banco, marcar o gol da virada e garantir a classificação.

Com o resultado, a Argentina chega à sua segunda final consecutiva em Copas do Mundo e mantém o retrospecto perfeito em semifinais. A decisão será contra a Espanha, que eliminou a França, no próximo domingo (19), às 16h (de Brasília).

Já a Inglaterra, que chegou à sua quarta semifinal na história, disputará o terceiro lugar diante dos franceses no sábado (18), em Miami.

Foto: Thomas Coex / AFP

Carreta tomba após motorista invadir contramão na MGC-497, em Iturama

Um acidente registrado na madrugada desta quarta-feira, 15 de julho, provocou a interdição parcial da rodovia MGC-497, na altura do km 242, em Iturama (MG), no Triângulo Mineiro. A ocorrência envolveu uma carreta carregada com milho e um carro de passeio, resultando no tombamento do veículo de carga e no espalhamento da mercadoria pela pista.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, o chamado foi feito por volta das 4h40. No local, os militares encontraram a carreta tombada sobre a pista, com parte da carga espalhada, o que comprometeu o tráfego na região. Já o automóvel, um Ford Fusion, estava fora da pista, na faixa de domínio, em sentido oposto ao da carreta.

Segundo relatos dos próprios motoristas, o carro trafegava no sentido contrário ao da carreta quando o condutor teria adormecido ao volante, invadindo a contramão. Para evitar uma colisão frontal, o motorista da carreta tentou desviar, mas acabou perdendo o controle da direção, o que provocou o tombamento do veículo e o derramamento da carga.

A remoção do milho e a liberação da rodovia exigiram uma operação conjunta. A Polícia Militar Rodoviária acionou a Prefeitura de Iturama (MG) e a Usina Coruripe, que disponibilizaram máquinas para retirar o material da pista e deslocá-lo para a margem da rodovia. Após a limpeza, a carreta foi destombada e o tráfego normalizado.

O carro de passeio foi retirado por um guincho da seguradora. Já a carreta foi liberada ao motorista após os procedimentos de praxe.

Apesar do impacto e dos danos materiais, nenhum dos envolvidos ficou ferido, e não houve necessidade de atendimento médico.

Governo eleva previsão da inflação para 5,1% com estouro da meta após alta dos alimentos e Guerra no Oriente Médio

O governo federal revisou para cima a projeção da inflação no Brasil em 2026, elevando a estimativa de 4,5% para 5,1%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 15 de julho, no Boletim MacroFiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda. A nova previsão indica que o índice oficial deve ultrapassar a meta estabelecida para o ano, refletindo a persistência das pressões sobre os preços, principalmente no setor de alimentos, além dos impactos do cenário internacional.

De acordo com a equipe econômica, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha apresentado desaceleração em junho, os alimentos seguem como principal fator de alta no acumulado do ano. O relatório também aponta que medidas ajustadas para efeitos sazonais e eventos atípicos continuam acima do padrão histórico, indicando que os efeitos de choques recentes ainda não foram totalmente absorvidos pela economia.

Entre os fatores externos, o Ministério da Fazenda destaca a influência do conflito no Oriente Médio, que, mesmo com algum alívio recente nas cotações do petróleo, ainda gera incertezas. A pasta avalia que o cenário permanece instável e que uma eventual intensificação das tensões pode pressionar novamente os preços globais de energia, com reflexos diretos sobre a inflação.

O documento também alerta para riscos adicionais, como o repasse de custos do atacado para o consumidor final, o que pode encarecer produtos industriais, além da possibilidade de um El Niño mais intenso. Embora o fenômeno climático tenha impacto mais significativo previsto para 2027, já há expectativa de efeitos sobre os preços de alimentos ainda neste ano.

Apesar do cenário inflacionário mais desafiador, o governo manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026, repetindo o desempenho estimado para 2025. Segundo a Secretaria de Política Econômica, indicadores recentes mostram que a atividade econômica segue com desempenho positivo no início do segundo trimestre, sem sinais generalizados de desaceleração.

A indústria continua sendo o principal motor da atividade, com avanço na comparação trimestral até maio, apesar de uma leve retração na margem mensal, influenciada pela queda na indústria extrativa e estabilidade na transformação. O governo avalia que, mesmo diante de incertezas, a economia brasileira mantém trajetória de crescimento moderado.

Inglaterra e Argentina duelam nesta quarta-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo

Inglaterra e Argentina voltam a se encontrar em um dos palcos mais decisivos do futebol mundial. Nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), as seleções duelam em Atlanta, nos Estados Unidos, por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026, em um confronto que reúne tradição, rivalidade e trajetórias marcantes no torneio.

O vencedor encara a Espanha na decisão, após a equipe europeia superar a França por 2 a 0 na outra semifinal. Já o perdedor disputará o terceiro lugar contra os franceses, em partida marcada para sábado, em Miami.

Apesar do histórico de confrontos em Copas, este será o primeiro encontro entre ingleses e argentinos em uma semifinal. A Inglaterra chega à sua quarta participação nesta fase, tentando encerrar um longo jejum desde o único título mundial, conquistado em 1966. Na atual campanha, a equipe avançou com consistência: somou sete pontos na fase de grupos e eliminou RD Congo, México e Noruega no mata-mata.

Do outro lado, a Argentina tenta manter um retrospecto perfeito em semifinais de Copa do Mundo. Atual campeã, a seleção sul-americana nunca foi eliminada nesta fase e soma classificações em todas as cinco vezes em que chegou entre os quatro melhores, incluindo campanhas históricas como as de 1986, 2014 e 2022. Em 2026, a equipe avançou com vitórias na fase de grupos e eliminou Cabo Verde, Egito e Suíça até chegar à semifinal.

O duelo também carrega um peso histórico. Inglaterra e Argentina já se enfrentaram em partidas marcantes ao longo das Copas, incluindo confrontos eliminatórios em 1966, 1986 e 1998, além de jogos na fase de grupos. O retrospecto é equilibrado e reforça o caráter decisivo do encontro.

Agora, com vaga na final em jogo, as seleções protagonizam mais um capítulo de uma das rivalidades mais emblemáticas do futebol mundial, em busca de um lugar na decisão e da chance de disputar o título no próximo domingo, em Nova Jersey/Nova York.

China proíbe “namorados virtuais” de IA e cria regras para evitar dependência emocional

A China iniciou, nesta quarta-feira, 15 de julho, novas regras para limitar o funcionamento de companheiros virtuais criados por inteligência artificial, em uma tentativa de reduzir riscos relacionados à dependência emocional dos usuários com sistemas que simulam relacionamentos afetivos.

A regulamentação, elaborada por cinco órgãos governamentais chineses, incluindo a Administração do Ciberespaço da China (ACC), estabelece que ferramentas de inteligência artificial com interação humana não devem incentivar vínculos excessivos, estimular vícios ou prejudicar as relações sociais reais dos usuários.

As normas abrangem plataformas capazes de criar conversas em texto, áudio, vídeo e outros formatos que reproduzem características humanas, como personalidade, comportamento e formas de comunicação. Serviços de inteligência artificial voltados para atendimento ao consumidor, estudos ou atividades profissionais, sem interação emocional, não estão incluídos nas restrições.

Antes da entrada em vigor das medidas, grandes empresas chinesas do setor, como ByteDance, Alibaba e Tencent, suspenderam funções relacionadas a companheiros virtuais em suas plataformas. A decisão provocou reações de usuários nas redes sociais, que compartilharam relatos de apego emocional e despedidas de seus personagens digitais.

Alguns usuários afirmaram ter criado relações de longa duração com seus parceiros virtuais e relataram sensação de perda após o encerramento dos serviços. Entre os depoimentos publicados, houve relatos de pessoas que descreviam os companheiros de IA como parte da família ou como uma fonte de apoio emocional.

Além de limitar a criação de parceiros virtuais para menores de idade, a nova regulamentação determina que empresas desenvolvam mecanismos capazes de identificar sinais de sofrimento emocional dos usuários e adotem medidas de intervenção em situações consideradas de risco.

As regras também estabelecem restrições sobre conteúdos produzidos por “humanos digitais”, incluindo a proibição de materiais que possam ser interpretados pelo governo chinês como ameaça à segurança nacional ou ao poder do Estado.

O mercado de inteligência artificial voltado para simulações humanas tem apresentado crescimento acelerado. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o setor de “humanos digitais” movimentou cerca de 4,1 bilhões de yuans em 2024, aproximadamente US$ 600 milhões, com crescimento anual de 85%.

A China se tornou a primeira grande economia a estabelecer regras específicas para ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas para simular relações românticas ou familiares. O tema também passou a gerar debates em outros países, especialmente sobre os impactos psicológicos da criação de vínculos afetivos com sistemas digitais.

Um estudo divulgado pela Common Sense Media em 2025 indicou que muitos adolescentes nos Estados Unidos já utilizaram companheiros de inteligência artificial para conversas pessoais. Plataformas voltadas a esse tipo de interação também têm desenvolvido soluções destinadas a idosos em situação de isolamento.

Especialistas apontam que a inteligência artificial com características humanas pode ajudar a reduzir a solidão, mas alertam para os riscos de uma dependência emocional excessiva. As novas regras chinesas buscam estabelecer limites para esse tipo de tecnologia, que continua avançando em diferentes partes do mundo.