O consumo de café no mercado brasileiro apresentou queda no último ano, impactado principalmente pela alta dos preços do produto. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), entre novembro de 2024 e outubro de 2025 o consumo recuou 2,31% em comparação com o mesmo período anterior, passando de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 quilos.
O volume registrado fica abaixo do recorde histórico alcançado em 2017, quando o consumo interno chegou a 22 milhões de sacas. De acordo com a Abic, a retração ocorre após sucessivos aumentos no custo da matéria-prima e no preço final ao consumidor.
Ainda segundo a entidade, o café teve alta média de 5,8% no varejo em 2025. Nos últimos cinco anos, o preço da matéria-prima subiu 201% no café conilon e 212% no arábica. Já o valor do produto ao consumidor aumentou 116% no mesmo período.
Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, os reajustes refletem problemas enfrentados desde 2021, como safras afetadas por eventos climáticos e baixos níveis de estoque. Segundo ele, houve um desequilíbrio entre oferta e demanda na cadeia global do café, o que contribuiu para a escalada dos preços.
Apesar da queda no consumo, a entidade avalia que o resultado demonstra resiliência do mercado interno. O Brasil segue como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, no entanto, os brasileiros superam os norte-americanos, com média de 1,4 mil xícaras por pessoa ao ano.
Mesmo com a redução no volume consumido, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025, atingindo R$ 46,24 bilhões. O avanço, segundo a Abic, foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços nas gôndolas.
Para 2026, a expectativa da associação é de maior estabilidade no mercado, impulsionada por uma safra considerada promissora. Ainda assim, a entidade não prevê quedas significativas nos preços a curto prazo, já que os estoques globais permanecem em níveis historicamente baixos. A redução mais perceptível para o consumidor, segundo a Abic, só deve ocorrer após pelo menos duas safras mais favoráveis.
Enquanto isso, a indústria aposta em promoções para estimular o consumo. O setor também acompanha discussões internacionais, como a manutenção de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre o café solúvel brasileiro e as oportunidades geradas pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que pode ampliar o acesso do café brasileiro ao mercado europeu.





























































