A dívida bruta do Brasil encerrou o ano de 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira, 30 de janeiro. O resultado representa uma alta de 2,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, marcando o terceiro aumento consecutivo do endividamento público.
Apesar da elevação ao longo do ano, houve uma leve redução em dezembro, quando a dívida recuou 0,3 ponto percentual, o que evitou um patamar ainda mais elevado no fechamento do exercício. Em 2024, a dívida bruta correspondia a 76,3% do PIB.
O indicador, que reúne os compromissos financeiros do governo federal, do INSS e de estados e municípios, é acompanhado de perto por investidores e analistas por refletir a capacidade do país de honrar seus compromissos fiscais. A relação entre dívida e PIB é usada para avaliar a sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
Projeções do Tesouro Nacional indicam que, sem medidas adicionais para reforçar a arrecadação e com a ampliação de gastos fora do arcabouço fiscal, a dívida bruta pode alcançar 95% do PIB nos próximos anos. Mesmo em um cenário com novas receitas, o endividamento pode atingir um pico de 88,5% do PIB.
Um dos principais fatores que pressionaram o crescimento da dívida em 2025 foi o custo dos juros. De acordo com o Banco Central, cada aumento de um ponto percentual na taxa básica de juros, mantido por 12 meses, acrescenta cerca de R$ 55,9 bilhões à dívida bruta, o equivalente a 0,44 ponto percentual do PIB. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano.
Além da dívida bruta, a dívida líquida do setor público também avançou e fechou 2025 em 65,3% do PIB, totalizando R$ 8,3 trilhões. O percentual representa o maior nível da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2001.
No campo fiscal, o setor público consolidado registrou em 2025 um déficit primário de R$ 55 bilhões, correspondente a 0,43% do PIB. O resultado ficou próximo ao registrado em 2024, quando o déficit foi de R$ 47,6 bilhões.
O desempenho foi influenciado principalmente pelas contas do governo central, que apresentaram déficit de R$ 58,7 bilhões. Em contrapartida, estados e municípios fecharam o ano com superávit de R$ 9,5 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit de R$ 5,87 bilhões, sendo a maior parte atribuída a companhias federais.
Gastos com juros somaram mais de R$ 1 trilhão no ano, o equivalente a 7,91% do PIB, reforçando o peso do serviço da dívida sobre as contas públicas.





























































