O raio que atingiu manifestantes durante a Caminhada pela Liberdade, realizada na tarde deste domingo, 25 de janeiro, em Brasília, provocou uma onda de reações nas redes sociais, marcada por ironia, sarcasmo e ataques direcionados aos participantes do ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). As publicações se espalharam principalmente pelo X (antigo Twitter) e associaram o episódio a interpretações religiosas, simbólicas e políticas.
As reações nas redes sociais foram marcadas por ironias, sarcasmo e ataques direcionados aos manifestantes. Muitas publicações atribuíram significado religioso ao raio, tratando o fenômeno como sinal divino, correção moral ou até punição simbólica, enquanto outras sugeriram a repetição do episódio de forma irônica. Também circularam conteúdos com linguagem ofensiva e memes que banalizaram o risco físico enfrentado pelas vítimas, além de montagens religiosas e críticas ao uso da fé como instrumento político, questionando a coerência dos participantes do ato e reforçando o tom de polarização que dominou a repercussão do caso.
Entre os conteúdos mais compartilhados, usuários atribuíram intencionalidade divina ao fenômeno natural. Em uma das postagens, um perfil escreveu: “Registro do momento que Deus lançou o raio pra acabar com a palhaçada”. Outro ironizou: “Manda mais chuva e raio, Senhor”. Também houve mensagens que sugeriam o episódio como prova de fé, como: “Impossível continuar ateu sabendo que Deus enviou um raio no meio de um ato bolsonarista”.
Parte das reações tratou o incidente como uma espécie de correção moral ou simbólica. “Essa galera pede tanto sinal de Deus que, quando Ele manda um bem claro, eles não percebem”, publicou um usuário. Outros sugeriram a repetição do fenômeno: “Sei que é impossível um raio cair duas vezes no mesmo lugar, mas estou esperançoso”.
Também circularam publicações com linguagem pejorativa e ofensiva, banalizando o risco físico enfrentado pelos participantes. Em uma delas, um usuário escreveu: “Caiu um raio no gado que caminhava atrás do bandidinho”. Memes compararam expectativas políticas ao ocorrido, enquanto mensagens curtas demonstraram alinhamento simbólico com o incidente, como “Estamos com o raio”.
Além disso, algumas postagens misturaram ironia religiosa e ataques diretos aos manifestantes. “Deus ficou pistola com a heresia e mandou um raio nos gados que acompanhavam”, dizia uma publicação. Em montagens com imagens religiosas, frases como “Raio acabou com a passeata” e “Nem Deus tem paciência com bolsonarista” também ganharam destaque.
Outros usuários adotaram tom retórico para questionar a coerência dos participantes do ato, criticando o uso da fé como instrumento político. “Quem espiritualiza tudo vai dizer o quê agora?”, escreveu um perfil.
A descarga elétrica ocorreu enquanto os manifestantes aguardavam o encerramento da caminhada, sob forte chuva, nas proximidades da Praça do Cruzeiro, perto do Memorial JK. O impacto provocou correria e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que já acompanhavam o ato.
De acordo com nota oficial da corporação, 89 pessoas foram atendidas no local. Destas, 42 não precisaram de encaminhamento hospitalar, enquanto 47 foram levadas a unidades de saúde do Distrito Federal. Entre os encaminhados, 11 necessitaram de cuidados médicos mais intensivos. Ao todo, 32 viaturas e 150 militares foram mobilizados para a operação de atendimento.
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que não houve determinação para cancelar o evento. A chuva intensa, no entanto, impediu a chegada do deputado e de seus apoiadores ao ponto final da caminhada, que teve início em Paracatu (MG), na segunda-feira (19), e previa encerramento neste domingo.
Mesmo sem concluir o trajeto, Nikolas Ferreira afirmou que a mobilização atingiu seu propósito. “O objetivo foi alcançado antes mesmo do ato final, que é despertar as pessoas, abrir seus olhos para o que está acontecendo”, declarou.






























































