Durante o período de férias escolares, quando crianças passam mais tempo em casa e em áreas externas, cresce o número de atendimentos relacionados a acidentes domésticos e urbanos em Minas Gerais. Situações comuns do dia a dia, muitas vezes associadas a momentos de distração, estão entre as principais causas de ocorrências envolvendo o público infantil.
Um dos exemplos é o caso de Rayan, de 2 anos e 11 meses, que sofreu queimaduras após puxar um recipiente com água quente enquanto a mãe preparava o café. O acidente aconteceu em casa e exigiu atendimento especializado. A criança foi levada ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, unidade que integra a rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).
Segundo a mãe do menino, o acidente ocorreu rapidamente. Rayan sofreu queimaduras de segundo grau no braço, parte do tórax e das costas. O Hospital João XXIII é referência no atendimento a casos graves de queimaduras em Minas Gerais e registra, em média, cerca de dois mil atendimentos por ano relacionados a traumas e queimaduras complexas.
De acordo com a coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados da unidade, Kelly Araújo, a escaldadura — causada por líquidos quentes — é a principal origem das queimaduras em crianças pequenas. A especialista afirma que a maioria desses acidentes poderia ser evitada com cuidados simples dentro de casa.
Entre as orientações estão o uso das bocas traseiras do fogão, manter os cabos das panelas voltados para dentro, evitar o uso de toalhas de mesa e restringir o acesso das crianças à cozinha durante o preparo de alimentos.
Além das queimaduras por líquidos quentes, outro risco frequente no ambiente doméstico são as queimaduras elétricas. Tomadas desprotegidas, fios expostos e equipamentos ligados ao alcance das crianças representam perigo constante. A recomendação é o uso de protetores adequados e vigilância contínua, mesmo quando dispositivos de segurança estão instalados.
Durante o recesso escolar, os riscos também se estendem para fora de casa. Crianças maiores, entre 6 e 13 anos, costumam ganhar mais autonomia para brincar na rua, o que exige atenção redobrada dos responsáveis. Segundo o cirurgião geral e do trauma do Hospital João XXIII, Rômulo Souki, a diminuição da supervisão é um fator decisivo para o aumento dos acidentes nesse período.
Entre as ocorrências mais comuns estão quedas de altura, atropelamentos e afogamentos, especialmente em piscinas, rios e represas. O médico alerta ainda para o risco de traumatismos cranianos, que podem não apresentar sinais imediatos, mas evoluir de forma grave.
Outro tipo de ocorrência frequente envolve intoxicações acidentais com produtos de uso doméstico. Embalagens coloridas e chamativas de produtos de limpeza e medicamentos costumam atrair a atenção das crianças. A Secretaria de Estado de Saúde reforça que a prevenção é a principal forma de evitar esse tipo de acidente, orientando que esses itens sejam armazenados fora do alcance dos pequenos.
Objetos pequenos, como pilhas, baterias e tampas, também representam risco de engasgamento e sufocamento. Especialistas destacam ainda a importância de respeitar a faixa etária indicada nos brinquedos e de instalar telas de proteção em janelas e próximos a escadas.
Em casos de acidentes, as orientações variam conforme a situação. Em queimaduras, a recomendação é colocar a área afetada sob água corrente em temperatura ambiente. Em casos de intoxicação, a criança deve ser levada imediatamente ao hospital, sem ingerir alimentos, líquidos ou provocar vômitos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.






























































