O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo, suspeito de integrar um esquema de obtenção e vazamento de dados fiscais sigilosos de autoridades brasileiras e seus familiares.
A ordem de prisão foi expedida no dia 13 de março e cumprida no dia seguinte, após solicitação da Polícia Federal (PF), com respaldo da Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, o caso só veio a público no último sábado, 21 de março, após divulgação pela imprensa e confirmação da defesa do investigado.
Inicialmente, a determinação previa a transferência do suspeito para um presídio federal em Brasília. Entretanto, ele foi detido no Rio de Janeiro e encaminhado ao presídio José Frederico Marques, em Benfica, sendo posteriormente transferido para a unidade de Bangu 8, na zona oeste da capital fluminense.
De acordo com as investigações, Washington de Azevedo é apontado como um dos principais articuladores na cadeia de obtenção ilegal de dados fiscais protegidos. Relatório da Polícia Federal indica que informações de 1.819 contribuintes foram acessadas entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, incluindo parentes de ministros do STF, além de deputados, senadores, empresários e outras autoridades.

Os investigadores apuram se houve comercialização dessas informações após o vazamento. Em depoimento, o contador teria admitido a obtenção irregular dos dados e atuado como intermediário entre interessados nas informações e quem oferecia o serviço ilegal.
Entre os alvos da quebra de sigilo está a advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A Receita Federal do Brasil já havia identificado acessos indevidos aos dados fiscais da advogada, o que motivou a abertura de procedimento interno para apurar possíveis irregularidades envolvendo integrantes da Corte e seus familiares.
A investigação também resultou, em fevereiro, no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Servidores da Receita Federal e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) foram alvos da operação e acabaram afastados de suas funções.
O caso segue em apuração e pode ter novos desdobramentos à medida que as autoridades avançam na análise do possível esquema de vazamento e uso indevido de dados fiscais sigilosos.






























































