Um dos momentos mais aguardados da exploração espacial recente foi concretizado nesta quarta-feira, 1 de abril, com o lançamento de um foguete da NASA rumo à órbita da Lua. A missão Artemis II representa o primeiro voo tripulado ao redor do satélite natural da Terra em 53 anos, marcando uma nova etapa na corrida espacial.
O foguete Space Launch System decolou do Centro Espacial Kennedy às 18h35 no horário local (19h35 de Brasília), iniciando uma missão com duração estimada de 10 dias. A bordo estão quatro astronautas: os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.
Momentos antes do lançamento, equipes técnicas identificaram dois problemas que precisaram ser solucionados. O primeiro envolveu um componente de hardware responsável pela comunicação com o sistema de terminação de voo, essencial para a segurança pública em caso de desvio de rota. Após testes de confiabilidade, o sistema foi considerado apto. Em seguida, foi detectada uma anomalia na temperatura de uma das baterias do Sistema de Aborto de Lançamento (LAS), posteriormente atribuída a uma falha de leitura de sensor, sem impacto real no funcionamento do equipamento, o que permitiu a continuidade da operação.
Os astronautas utilizam trajes conhecidos como Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion, desenvolvidos para oferecer segurança em diferentes fases da missão. As vestimentas possuem cor laranja brilhante para facilitar a localização no mar, além de capacetes mais leves e resistentes e luvas compatíveis com telas sensíveis ao toque.
A missão envolve um investimento bilionário. O programa Artemis deve ultrapassar US$ 93 bilhões (cerca de R$ 479 bilhões de reais), segundo estimativa do Office of Inspector General da NASA, baseada em auditoria realizada em 2021 com projeções até 2025.

Durante a viagem, a cápsula Orion percorrerá mais de 2,2 milhões de quilômetros. A tripulação irá orbitar a Lua e observar a olho nu o lado oculto do satélite, podendo alcançar a maior distância já percorrida por seres humanos em relação à Terra. Em parte do trajeto, os astronautas ficarão entre 30 e 50 minutos sem comunicação com o planeta, período em que realizarão registros visuais e experimentos científicos.
A missão também tem como foco o estudo dos efeitos do espaço profundo no corpo humano, especialmente a exposição à radiação fora do campo magnético da Terra, algo que não ocorre desde o fim das missões Apollo, em 1972. Para isso, sensores serão distribuídos na cabine para medir os níveis de radiação, enquanto os astronautas fornecerão amostras biológicas, como saliva e sangue, antes e depois do voo, permitindo análises sobre possíveis alterações no sistema imunológico e em outras funções do organismo. Também serão realizados testes com células em chips para ampliar o conhecimento científico sobre o impacto do ambiente espacial.
Ao final da missão, a cápsula Orion retornará à Terra em alta velocidade, atingindo cerca de 40 mil km/h, uma das reentradas mais rápidas já registradas em voos tripulados. O escudo térmico deverá suportar temperaturas próximas de 3 mil graus Celsius. Na fase final, uma sequência de paraquedas será acionada — incluindo estabilizadores, pilotos e principais — até a amerissagem no Oceano Pacífico, onde a nave será recuperada pela NASA.
O principal objetivo da Artemis II é testar o foguete, a cápsula e os sistemas que serão utilizados nas próximas missões, que têm como meta levar novamente seres humanos à superfície lunar. A missão marca o retorno das viagens tripuladas ao espaço profundo e abre caminho para uma nova era da exploração espacial.































































