Os Correios divulgaram, nesta quinta-feira, 23 de abril, os resultados financeiros referentes a 2025, apontando um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. O desempenho negativo é o 14º trimestre consecutivo de perdas da estatal, que enfrenta forte pressão de despesas judiciais e queda na receita.
De acordo com o balanço, o principal fator para o resultado foi o pagamento de precatórios, dívidas decorrentes de decisões judiciais definitivas, que somaram R$ 6,4 bilhões no período. Parte desse montante, cerca de R$ 2,63 bilhões, está relacionada a obrigações herdadas de gestões anteriores, segundo a empresa.
Além disso, os Correios também registraram provisões bilionárias para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas, especialmente ligadas ao pagamento de adicionais por atividade de distribuição e periculosidade.
A receita bruta da estatal foi de R$ 17,3 bilhões em 2025, representando uma queda de 11,35% em relação ao ano anterior. Segundo a empresa, o recuo foi impulsionado, principalmente, pela redução expressiva nas encomendas internacionais, que caíram cerca de 66%.
A estatal atribui esse cenário a mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor, que alteraram o fluxo do comércio internacional e impactaram diretamente o volume de entregas.
Como parte das ações para equilibrar as contas, os Correios implementaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Entre fevereiro e abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao programa, com expectativa de redução de gastos de até 40%. Considerando os PDVs realizados em 2024 e 2025, a empresa estima uma economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e de R$ 775,7 milhões em 2026.
No fim de 2025, a estatal firmou um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos, incluindo Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O acordo tem validade até 2040, com carência de três anos e início dos pagamentos previsto para dezembro de 2029. A operação conta com garantia da União, o que reduz o risco para as instituições financeiras.
Apesar do aporte, os recursos têm como objetivo principal cobrir despesas acumuladas, e não gerar impacto imediato na redução do prejuízo. Além disso, o governo federal autorizou a ampliação do limite para novos empréstimos, permitindo que os Correios possam captar até R$ 8 bilhões adicionais com garantia pública.
O resultado reforça o cenário desafiador enfrentado pela estatal, que busca equilibrar suas contas em meio ao aumento de despesas judiciais, mudanças no mercado logístico e necessidade de reestruturação operacional.





























































