A recente quebra de patente da semaglutida, substância amplamente utilizada no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, promete ampliar o acesso aos chamados “medicamentos injetáveis para emagrecimento” no Brasil. No entanto, em Minas Gerais, o avanço vem acompanhado de um alerta crescente das autoridades sobre a expansão de um mercado clandestino que coloca a saúde da população em risco.
Com a expectativa de redução de até 30% nos preços, impulsionada pelo fim do monopólio da indústria farmacêutica, cresce também a oferta irregular de substâncias manipuladas sem controle sanitário. A Polícia Civil de Minas Gerais tem intensificado ações para coibir práticas como o chamado “fracionamento caseiro”, em que medicamentos são divididos e revendidos de forma ilegal, sem qualquer garantia de procedência ou segurança.
Um dos casos recentes ocorreu em Santa Luzia (MG), onde uma ex-servidora pública foi presa suspeita de aprender, por meio de redes sociais, a manipular e comercializar doses de medicamentos para emagrecimento. Segundo as investigações, ela não possuía formação técnica, o que evidencia os riscos associados a esse tipo de prática.
Enquanto o mercado irregular preocupa, especialistas reforçam que o uso desses medicamentos deve ocorrer exclusivamente com indicação e acompanhamento médico. Os fármacos da classe dos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, atuam no controle do apetite ao simular a ação de um hormônio intestinal, promovendo maior saciedade.
Inicialmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2, esses medicamentos também passaram a ser utilizados no combate à obesidade, condição que atinge mais de 34% da população mineira, segundo dados recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
A endocrinologista Kamilla Brandão destaca que a quebra de patente pode trazer benefícios importantes. “A tendência é ampliar o acesso por meio de medicamentos biossimilares, o que pode reduzir custos para pacientes que realmente têm indicação clínica”, explica.
Além do caso em Santa Luzia (MG), outras ações têm sido realizadas em diferentes cidades mineiras. Em Belo Horizonte, um homem foi preso suspeito de revender ilegalmente canetas injetáveis e anabolizantes, alguns sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já em Montes Claros, a operação “Black Pen” resultou na apreensão de medicamentos proibidos e na prisão de uma suspeita envolvida no comércio irregular.
Segundo a Polícia Civil, a comercialização, importação ou distribuição de medicamentos sem autorização sanitária pode configurar crimes como contrabando e delitos contra a saúde pública. As penas incluem prisão, além de multas e interdição de estabelecimentos.
As autoridades reforçam que, diante da maior oferta desses medicamentos no mercado, a população deve redobrar a atenção e evitar adquirir produtos de origem desconhecida, priorizando sempre o acompanhamento médico e a compra em estabelecimentos regularizados.





























































