A União Europeia (UE) decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para o bloco, em razão do não cumprimento das regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. A medida foi oficializada em documento publicado na última quinta-feira, 4 de junho, e passa a valer a partir de 3 de setembro deste ano.
Com a decisão, o Brasil perde um de seus principais mercados internacionais no setor de carnes. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que, apenas em 2025, o país exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia, totalizando 368,1 mil toneladas. A carne bovina lidera as vendas ao bloco, com US$ 1,04 bilhão, cerca de 60% do total, seguida pela carne de frango, que somou US$ 762,9 milhões.
No cenário global, o Brasil movimentou US$ 31,8 bilhões em exportações de carnes no ano passado. A China aparece como principal destino, com US$ 9,8 bilhões, enquanto União Europeia e Estados Unidos ocupam, respectivamente, a segunda e terceira posições.
A exclusão brasileira ocorre após um anúncio prévio feito pela UE em 12 de maio e reflete, segundo autoridades europeias, uma estratégia de reforço na fiscalização sanitária. A medida também surge em meio a pressões internas, especialmente do setor agrícola e do governo francês, após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, no dia 1º de maio.

O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a decisão busca garantir padrões equivalentes entre produção interna e produtos importados. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos”, declarou.
As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos para promoção de crescimento animal e restringem o uso de substâncias consideradas essenciais para tratamentos humanos. As medidas fazem parte de uma política mais ampla de combate à resistência antimicrobiana, considerada uma das principais ameaças à saúde global.
Em resposta a esse cenário, o governo brasileiro anunciou, no fim de abril, a proibição do uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária. A medida, alinhada a diretrizes internacionais, não afeta o uso terapêutico dos medicamentos, mas restringe substâncias amplamente utilizadas na produção intensiva, como avoparcina, bacitracina e virginiamicina.
Especialistas apontam que, apesar dos avanços regulatórios, o controle do uso de antimicrobianos ainda enfrenta desafios no país, especialmente fora do ambiente farmacêutico.






























































