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Incêndio consome veículo e parte de residência na zona rural de Ituiutaba

Um incêndio de grandes proporções destruiu um veículo e parte de uma residência na zona rural de Ituiutaba (MG), na noite desta segunda-feira, 27 de abril. A ocorrência mobilizou o 2º Pelotão do Corpo de Bombeiros Militar do município.

De acordo com os bombeiros, o chamado foi registrado por volta das 22h30, indicando que o incêndio ocorria na região conhecida como Córrego da Canoa, a cerca de 45 quilômetros da área urbana. Testemunhas relataram ter ouvido um barulho pouco antes do início das chamas, que rapidamente se espalharam e passaram a consumir tanto a residência quanto o veículo.

Ao chegarem ao local, os militares encontraram a situação em estágio crítico. A casa estava quase completamente tomada pelo fogo, enquanto o veículo havia sido praticamente destruído pelas chamas.

As equipes iniciaram imediatamente o combate ao incêndio, concentrando esforços na contenção dos focos ainda ativos e na eliminação do fogo. Após a atuação, as chamas foram controladas e totalmente debeladas.

Na sequência, foi realizado o trabalho de rescaldo, etapa essencial para evitar a reignição e garantir a segurança da área atingida.

Até o momento, não há informações sobre vítimas ou sobre as causas do incêndio, que deverão ser apuradas.

Foto: CBMMG
Foto: CBMMG
Foto: CBMMG

 

Operação da PF contra abuso sexual infantil cumpre mandados em 14 cidades de Minas, incluindo Uberlândia e Araguari

A Polícia Federal do Brasil deflagrou, nesta terça-feira, 28 de abril, a “Operação Nacional Proteção Integral IV”, com o objetivo de combater crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes. A ação ocorre de forma simultânea em todas as unidades da federação, com o cumprimento de 159 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão preventiva.

Ao todo, participam da operação 503 policiais federais e 243 policiais civis de diversos estados, em uma mobilização de grande escala voltada à identificação e prisão de suspeitos envolvidos em crimes que violam a dignidade sexual de menores.

Em Minas Gerais, a operação também foi realizada em diferentes regiões, com o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em 14 municípios. As ações envolveram 18 equipes e 74 policiais federais.

Na região de Uberlândia (MG), foram cumpridos cinco mandados, dois na cidade, um em Araguari (MG) e dois em Unaí (MG),  com a atuação de 20 policiais. Já na circunscrição de Divinópolis (MG), foram dois mandados, em Lavras (MG) e Santo Antônio do Amparo (MG). Próximo a Uberaba (MG), mandados também foram cumpridos em Veríssimo (MG).

Outras ações ocorreram nas regiões de Ipatinga (MG), sendo dois mandados em Matipó (MG). Na região de Montes Claros (MG), foram cumprimodos um mandado em Montes Claros e outro em Pirapora (MG). Na região de Juiz de Fora (MG), ocorreram ações em Visconde do Rio Branco (MG) e Eugenópolis (MG). E na região de Belo Horizonte (MG), foi cumprido um mandado na capital, um mandado em Lagoa Santa (MG) e um em Martinho Campos (MG).

A operação brasileira integra um esforço internacional coordenado, denominado Operação Internacional Aliados pela Infância VI, que ocorre simultaneamente em 15 países. Entre eles estão Argentina, Espanha, França, México e Peru, além de outras nações da América Latina e Europa.

O objetivo é integrar forças policiais nacionais e internacionais no enfrentamento de crimes transnacionais relacionados ao abuso sexual infantojuvenil, ampliando a capacidade de investigação e repressão dessas práticas.

A ação também reforça as iniciativas do Maio Laranja, voltadas à conscientização e prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Segundo a Polícia Federal, somente em 2026, já foram cumpridos ao menos 450 mandados de prisão de foragidos por crimes sexuais, por meio de grupos especializados em capturas. A ofensiva desta terça-feira amplia esse esforço e reforça o compromisso das autoridades com a proteção integral da infância.

Foto: Polícia Federal
Foto: Polícia Federal
Foto: Polícia Federal

Mercado ilegal e riscos à saúde colocam canetas emagrecedoras sob análise da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária discute, nesta semana, uma proposta de instrução normativa que estabelece procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A medida ocorre em um cenário de crescimento acelerado do uso desses produtos, aliado ao aumento do mercado ilegal e de práticas irregulares.

Entre os princípios ativos mais conhecidos estão a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, utilizados no tratamento de doenças crônicas como obesidade e diabetes. Apesar dos benefícios comprovados, esses medicamentos só podem ser adquiridos com prescrição médica, regra frequentemente desrespeitada no mercado paralelo.

Diante desse cenário, a Anvisa tem intensificado ações para coibir a comercialização irregular, incluindo versões manipuladas sem autorização. A agência também instituiu grupos de trabalho para fortalecer o controle sanitário e ampliar a segurança dos pacientes.

Neste mês, a Anvisa firmou uma carta de intenção com o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Odontologia e o Conselho Federal de Farmácia, com foco na promoção do uso racional e seguro desses medicamentos. A iniciativa prevê troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas para prevenir riscos associados a produtos irregulares.

Especialistas destacam que, embora representem um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes, o uso indiscriminado dessas substâncias pode trazer consequências graves. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Neuton Dornelas, classifica os medicamentos como uma “revolução terapêutica”, mas faz um alerta.

“São medicamentos muito eficazes, que abriram um grande horizonte para o tratamento, especialmente da obesidade. No entanto, o uso indiscriminado é preocupante e pode ser perigoso”, afirmou.

Dados recentes levantados pela Anvisa reforçam o alerta. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos farmacêuticos destinados à manipulação dessas canetas, quantidade suficiente para a produção de cerca de 20 milhões de doses. No mesmo período, 1,3 milhão de unidades foram apreendidas por algum tipo de irregularidade, como problemas no transporte, armazenamento ou comercialização.

Para Dornelas, os números são “assustadores” e evidenciam a expansão do mercado ilegal. Ele ressalta que o consumo desenfreado está diretamente ligado a esse comércio paralelo e defende medidas mais rígidas, como a suspensão temporária da manipulação desses medicamentos até que haja maior capacidade de fiscalização.

Além dos riscos relacionados à procedência, o especialista explica que os medicamentos atuam em três mecanismos principais: controle da glicose, retardamento do esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade, e atuação no cérebro para redução do apetite. Esses efeitos contribuem para perda de peso significativa, que pode chegar a cerca de 15% com a semaglutida e até 25% com a tirzepatida, dependendo do acompanhamento médico e da adesão a mudanças no estilo de vida.

No entanto, o uso exige cautela. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas, vômitos e sintomas gastrointestinais. Em casos mais graves, a Anvisa já identificou registros de pancreatite, condição que pode estar associada ao mecanismo de ação dos medicamentos, especialmente em pacientes com fatores de risco.

Segundo o endocrinologista, há quatro pilares fundamentais para o uso seguro: optar por medicamentos regularizados no país, ter prescrição e acompanhamento médico, adquirir os produtos em estabelecimentos autorizados e seguir rigorosamente as doses indicadas. Ele também alerta que dores abdominais intensas podem ser um sinal de complicações e devem ser avaliadas imediatamente.

Desde junho do ano passado, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passem a reter as receitas desses medicamentos, medida que conta com o apoio de entidades médicas como a SBEM.

A proposta em análise pela agência reforça a necessidade de aprimorar a regulação diante da crescente demanda e dos desafios impostos pelo mercado ilegal, buscando equilibrar o acesso aos tratamentos com a segurança da população.

Dez curvas perigosas de rodovias no Triângulo e Alto Paranaíba recebem reforço na sinalização

Trechos em curva de rodovias que cortam o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba estão passando por reforço na sinalização viária, em uma iniciativa voltada à redução de riscos e ao aumento da segurança dos motoristas. As melhorias são realizadas pela EPR Triângulo em dez pontos considerados críticos.

As intervenções contemplam rodovias que passam por municípios como Uberlândia, Uberaba, Patrocínio, Santa Juliana, Indianópolis, Iraí de Minas e Nova Ponte. A escolha dos locais foi baseada em monitoramento técnico contínuo, que considera volume de tráfego, histórico de acidentes e características geométricas das vias.

A execução das melhorias é acompanhada pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais, responsável por fiscalizar o cumprimento das diretrizes contratuais e das normas de segurança viária. Segundo o diretor-geral da agência, Breno Longobucco, a atuação regulatória contribui diretamente para a adoção de soluções que reduzam riscos nas rodovias.

“As intervenções demonstram a importância do monitoramento qualificado e da resposta técnica às condições da via, promovendo maior proteção aos usuários”, afirmou.

As ações fazem parte do Programa de Redução de Acidentes (PRA), aplicado nos trechos concedidos, e seguem uma abordagem baseada em dados para mitigar riscos. Entre as melhorias estão a ampliação da sinalização vertical, com instalação de placas de alinhamento, e o reforço da sinalização horizontal, com maior quantidade de tachas refletivas, que aumentam a visibilidade, especialmente à noite ou em condições climáticas adversas.

Também estão sendo implantadas Linhas de Estímulo à Redução de Velocidade (Lervs) e dispositivos nas bordas da pista que provocam vibração ao serem atravessados, funcionando como alerta para motoristas em casos de desvio involuntário da trajetória, medida considerada eficaz em trechos de menor visibilidade.

De acordo com o gerente de Operações da concessionária, Fábio Schoba, as intervenções são resultado de análises técnicas contínuas. “Cada ponto foi mapeado com base em indicadores de tráfego e histórico de ocorrências. A partir disso, estruturamos ações que aumentam a previsibilidade da via e reforçam a orientação ao condutor, com o objetivo de prevenir acidentes e salvar vidas”, destacou.

As melhorias integram um conjunto permanente de investimentos na qualificação da infraestrutura rodoviária concedida em Minas Gerais, com foco na preservação de vidas e na melhoria das condições de tráfego.
Trechos contemplados

  • LMG-798 – km 35+050
  • BR-452 – km 287+000
  • BR-365 – km 598+650
  • BR-365 – km 502+500
  • BR-365 – km 592+050
  • BR-452 – km 211+800
  • BR-452 – km 215+800
  • MGC-452 – km 193+400
  • MGC-462 – km 28+800
  • MG-190 – km 70+000

Derramamento de óleo atinge rua com aclive no bairro Novo Horizonte em Ituiutaba

Uma ação rápida do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) evitou possíveis acidentes de trânsito após o derramamento de óleo em via pública no bairro Novo Horizonte, em Ituiutaba (MG).

De acordo com a corporação, o local da ocorrência apresenta aclive e intenso fluxo de veículos, fatores que aumentavam significativamente o risco de derrapagens e colisões. Diante da situação, a guarnição iniciou imediatamente o isolamento da área e a sinalização da via, garantindo a segurança tanto dos condutores quanto da equipe durante a operação.

Na sequência, os militares realizaram a aplicação de serragem sobre a pista, técnica utilizada para absorver o óleo derramado e melhorar a aderência do pavimento. A medida contribuiu para o restabelecimento das condições seguras de tráfego no trecho afetado.  A corporação não divulgou a data da ocorrência.

A atuação preventiva dos bombeiros foi considerada essencial para a mitigação dos riscos, evitando acidentes e permitindo a normalização do fluxo de veículos no local.

Foto: CBMMG
Foto: CBMMG

Residência é atingida por incêndio em Ituiutaba

Um incêndio em residência mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar na madrugada do dia 26 de abril, no município de Ituiutaba (MG), no Triângulo Mineiro. Apesar da intensidade das chamas e dos danos materiais registrados, não houve vítimas.

De acordo com informações da corporação, o fogo se espalhou rapidamente pelo imóvel, atingindo móveis e grande parte do forro da residência. A ocorrência também resultou em intensa produção de fumaça e danos estruturais relevantes, incluindo o derretimento da caixa d’água.

Ao chegarem ao local, os militares iniciaram imediatamente o combate às chamas com o uso de equipamentos específicos para incêndio, com o objetivo de controlar o fogo e evitar sua propagação para imóveis vizinhos.

Após a extinção do incêndio, as equipes realizaram o trabalho de rescaldo, etapa fundamental para eliminação de possíveis focos remanescentes. Durante a vistoria técnica, foram identificados danos significativos na estrutura de madeira do telhado, o que elevou o nível de atenção quanto à segurança do imóvel.

Diante do risco de intoxicação por fumaça residual e da possibilidade de colapso estrutural, os moradores foram orientados a não permanecerem na residência. A Defesa Civil foi acionada para avaliação da estrutura e adoção das medidas cabíveis. A corporação não divulgou o bairro em que a ocorrência foi registrada.

O caso segue sob análise das autoridades competentes para apuração das possíveis causas do incêndio.

Foragido por tentativa de homicídio é preso pela PM em Capinópolis

A Polícia Militar de Minas Gerais prendeu, nesta sexta-feira, 24 de abril, um homem que estava foragido da Justiça pelo crime de tentativa de homicídio, no município de Capinópolis (MG).

A captura foi realizada após o recebimento de denúncias anônimas e acionamento por meio do sistema policial, que indicaram o possível paradeiro do suspeito. Com base nas informações, equipes iniciaram diligências e conseguiram localizar o homem em um imóvel da cidade.

Durante a abordagem, o suspeito foi encontrado escondido debaixo de uma cama. Ele obedeceu às ordens dos militares e foi preso sem oferecer resistência.

Após a detenção, o homem foi encaminhado à autoridade policial competente, onde permanece à disposição da Justiça, com todos os seus direitos constitucionais garantidos.

A PMMG reforça a importância da participação da comunidade no combate ao crime e destaca que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque Denúncia Unificado, através do número 181. O sigilo é garantido, e a colaboração da população é fundamental para a segurança pública.

Suspeito de ataque a tiros em jantar com Trump será levado à Justiça nesta segunda (27)

O homem suspeito de invadir armado um jantar de gala da imprensa com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá comparecer à Justiça nesta segunda-feira, 27 de abril, após ser detido durante uma ação que levantou novos alertas sobre segurança e violência política no país.

Segundo autoridades, o suspeito, identificado pela imprensa como Cole Tomas Allen, de 31 anos, teria planejado um ataque contra o presidente e integrantes do alto escalão do governo durante o evento realizado em um hotel em Washington. Ele foi contido por agentes do Serviço Secreto após uma troca de tiros e não ficou ferido.

O episódio ocorreu na noite deste sábado, 25 de abril, e levou à retirada imediata de Trump e outras autoridades do local. Um agente de segurança chegou a ser atingido no colete à prova de balas, mas não sofreu ferimentos graves.

Em entrevista à imprensa, Trump afirmou que não se sentiu intimidado com a situação e classificou o caso como mais um reflexo de um cenário de instabilidade. O procurador-geral interino, Tom Blanche, informou que o suspeito não colaborou com as autoridades até o momento, mas que deve responder formalmente pelas acusações em um tribunal federal.

De acordo com as investigações preliminares, o homem estaria hospedado no mesmo hotel onde acontecia o evento e portava uma espingarda, uma pistola e uma faca. Há indícios de que ele tenha agido sozinho, hipótese considerada pelas autoridades.

O caso reacende preocupações com a segurança de líderes políticos nos Estados Unidos. Nos últimos anos, o próprio Trump já havia sido alvo de outras duas tentativas de ataque, o que intensifica o debate sobre protocolos de proteção em eventos públicos e oficiais.

Conta de luz deve subir em maio com bandeira amarela e reajuste da Cemig em Minas

A conta de luz deve pesar mais no bolso dos consumidores em maio, impulsionada pela mudança para a bandeira tarifária amarela e pela proximidade do reajuste anual da Cemig. A combinação dos dois fatores pode resultar em aumento nas tarifas de energia elétrica em Minas Gerais, embora o percentual exato ainda não tenha sido definido.

A alteração na bandeira foi anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A agência é responsável por definir, todos os anos, o reajuste das distribuidoras de energia no país, com base nos custos operacionais de cada empresa.

Neste ano, a Aneel já aprovou aumentos para oito distribuidoras, afetando cerca de 22 milhões de brasileiros. O maior reajuste foi registrado pela CPFL Santa Cruz, com alta de 17,74% para clientes residenciais em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, o que acende o alerta para possíveis impactos semelhantes em outras regiões.

No caso da Cemig, ainda não há definição sobre o percentual de reajuste, podendo inclusive haver redução, embora esse cenário seja menos comum. Tradicionalmente, a decisão é anunciada na reunião da Aneel que antecede o dia 28 de maio, prevista para ocorrer no dia 26, com possibilidade de antecipação para o dia 19.

Em 2025, o reajuste aplicado à Cemig foi de 7,36%. No entanto, o impacto para o consumidor ocorre de forma gradual, sendo percebido integralmente apenas nas faturas com vencimento em julho, já que a conta de junho ainda considera parte do consumo com a tarifa anterior.

Além do reajuste anual, a Cemig passa por revisões tarifárias mais amplas a cada cinco anos, quando são reavaliados diversos componentes da tarifa. O último processo ocorreu em 2023, e o próximo está previsto para 2028.

Diante desse cenário, os consumidores devem se preparar para mudanças no valor da conta de energia.

Sob Lula, rombo dos Correios cresce 1.300% e fecha 2025 em 15,45% do déficit fiscal do país

A crise financeira dos Correios atingiu em 2025 o seu ponto mais crítico, com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, conforme balanço divulgado nesta semana. O resultado representa uma forte deterioração das contas da estatal, com o rombo triplicando em relação ao ano anterior e marcando uma sequência de 14 trimestres consecutivos de perdas. O valor equivale a 15,45% do déficit fiscal consolidado do setor público, que somou R$ 55 bilhões no ano passado.

O agravamento do cenário vem sendo observado nos últimos anos. Em 2024, o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões, enquanto em 2023, primeiro ano do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estatal registrou perdas de R$ 597 milhões. No acumulado dos últimos três anos, o resultado negativo chega a R$ 11,7 bilhões, o que representa um aumento expressivo de cerca de 1.300% no período.

Após um período de resultados positivos iniciado em 2017, os Correios voltaram a registrar prejuízos a partir de 2022, em um movimento que se intensificou até o cenário atual. Em resposta, a empresa apresentou um plano de reestruturação baseado em três eixos principais, recuperação financeira, consolidação do modelo de negócios e crescimento estratégico. Apesar disso, os resultados ainda não atingiram as metas estabelecidas, embora a estatal projete retorno ao lucro até 2027.

Entre as medidas adotadas, o Programa de Desligamento Voluntário era uma das principais apostas para reduzir custos. A meta era alcançar 10 mil adesões, mas cerca de 3 mil funcionários aceitaram a proposta, menos de um terço do esperado. A economia gerada até o momento corresponde a aproximadamente 40% da projeção inicial de R$ 1,4 bilhão até 2027.

Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar a deterioração financeira, incluindo o aumento da concorrência com empresas privadas de logística, mudanças no mercado de entregas e excesso de pessoal. Para o professor de economia Fábio Andrade, a baixa adesão ao programa de desligamento também está relacionada à estabilidade do setor público, o que dificulta a redução do quadro de funcionários. Ele sugere que alternativas como a reestruturação mais profunda ou até a privatização parcial de atividades podem ser caminhos possíveis para recuperação da empresa.

A discussão sobre a privatização dos Correios não é recente. Em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma proposta chegou a ser enviada ao Congresso, mas acabou retirada da pauta em 2023 pela atual gestão federal.

Paralelamente, a estatal tenta reforçar o caixa com a venda de ativos. Até o momento, foram comercializados 11 imóveis, com arrecadação de R$ 11,3 milhões. Também foram realizados ajustes na rede de atendimento, com o fechamento de 68 unidades em 2026, dentro de um total de cerca de 10 mil agências espalhadas pelos 5.570 municípios brasileiros.

Representantes do setor destacam ainda a necessidade de discutir o modelo de financiamento da empresa. O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, Roberval Borges, afirma que o serviço postal universal exige novas fontes de sustentação, citando modelos internacionais que incluem aportes do governo ou fundos financiados por empresas privadas. Ele também critica a gestão anterior, apontando falta de medidas efetivas diante de problemas que impactaram a receita, como mudanças no fluxo de encomendas internacionais.

A crise também teve reflexos internos. Em 2025, a então diretora financeira Maria do Carmo Lara foi demitida após o agravamento do déficit. Procurada, ela não comentou o caso. Em nota, os Correios afirmaram que mudanças na diretoria seguem critérios técnicos.

A estatal sustenta que o resultado negativo de 2025 foi impactado principalmente pelo aumento dos custos operacionais e pelo reconhecimento de obrigações judiciais acumuladas de gestões anteriores. Segundo a empresa, cerca de R$ 2,63 bilhões do prejuízo estão relacionados ao pagamento de precatórios e contingências judiciais, medidas que, de acordo com a direção, visam garantir a sustentabilidade futura da organização.

Diante desse cenário, os Correios enfrentam o desafio de reequilibrar suas contas em meio a transformações no setor logístico e à necessidade de manter a prestação de serviços em todo o território nacional.