Pesquisadores brasileiros deram um passo importante rumo ao diagnóstico mais rápido e acessível da doença de Alzheimer e de outras formas de demência. Um estudo publicado na prestigiada revista Nature revelou que biomarcadores no sangue podem indicar alterações cerebrais típicas dessas doenças, abrindo caminho para exames menos invasivos e mais viáveis em locais com poucos recursos médicos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), em parceria com Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a clínica Neurolife e a Queen’s University, no Canadá. Trata-se de um dos primeiros estudos com pacientes brasileiros a utilizar essa tecnologia de ponta, já testada anteriormente em países como Estados Unidos, Canadá e em diversas nações europeias.
Os biomarcadores analisados — NfL, GFAP, pTau181 e pTau217 — mostraram grande potencial para identificar, com alta precisão, alterações cerebrais ligadas ao Alzheimer. Entre eles, o destaque vai para o pTau217, que obteve acurácia superior a 90% na detecção da doença.
Outro marcador importante, o pTau181, se mostrou eficaz para diferenciar o Alzheimer de outras demências, como a demência com corpos de Lewy e a demência vascular — doenças que muitas vezes apresentam sintomas semelhantes, dificultando o diagnóstico clínico.
A pesquisa também apontou que a combinação de biomarcadores, como pTau e Aβ42, pode tornar os resultados ainda mais confiáveis, o que favorece diagnósticos precoces e direcionamento mais preciso para os tratamentos.
Além do diagnóstico, os cientistas observaram que o biomarcador GFAP (Proteína Ácida Fibrilar Glial) está relacionado ao ritmo de progressão da doença. Níveis elevados dessa substância no sangue, quando associados a pTau181 ou pTau217, indicam maior risco de declínio cognitivo acelerado, o que pode ser útil para monitorar a evolução da enfermidade ao longo do tempo.
Para Fernanda De Felice, pesquisadora do Idor e professora da UFRJ, o grande avanço está na validação dos exames com base na população brasileira, o que garante maior precisão nos resultados. “Adquirimos o primeiro aparelho no Brasil capaz de medir esses biomarcadores de forma ultra sensível. Validamos os parâmetros de referência especificamente na nossa população, o que é fundamental, pois não se pode aplicar os mesmos valores de outras regiões com genética distinta”, explicou.
O estudo ganha ainda mais relevância diante da recente aprovação, em maio de 2025, do primeiro exame de sangue para Alzheimer nos Estados Unidos, desenvolvido pela Fujirebio Diagnostics. A novidade internacional reforça o potencial dessa abordagem no futuro da neurologia.
Com o avanço da pesquisa brasileira, a expectativa é que esse tipo de exame, mais simples e acessível, possa ser implementado no sistema de saúde pública e em clínicas de todo o país, beneficiando especialmente regiões onde exames de imagem complexos ou coleta de líquor são inviáveis.






























































