A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 7 de maio, duas operações simultâneas com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes fiscais de grande escala. As ações, batizadas de “Operação Títulos Podres e Operação Consulesa (Fase 2)”, ocorreram em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal.
As investigações apontam que o grupo atuava utilizando créditos fiscais fraudulentos, conhecidos como “títulos podres”, para realizar compensações indevidas de tributos federais, gerando prejuízos milionários aos cofres públicos.
De acordo com os órgãos envolvidos, o esquema era estruturado e contava com a participação de empresas, escritórios de advocacia e consultorias tributárias, que ofereciam supostas soluções para redução ou quitação de débitos fiscais. Com o avanço das investigações, foi identificado ainda o envolvimento de servidores públicos, o que ampliou a complexidade e o alcance das fraudes.
A organização operava de forma altamente profissionalizada, com divisão de funções, captação ativa de clientes e uso de ferramentas como procurações eletrônicas. Para ocultar a origem dos valores, eram utilizadas empresas de fachada, contas de terceiros e movimentações financeiras pulverizadas, caracterizando também indícios de lavagem de dinheiro.
Ao todo, cerca de 215 policiais federais e 43 auditores e analistas da Receita Federal participaram da operação. Na “Operação Consulesa (Fase 2)”, estão sendo cumpridos 29 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os prejuízos apurados nessa frente investigativa podem chegar a R$ 670 milhões.
Já a “Operação Títulos Podres” cumpre 40 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária em quatro estados. Entre os investigados estão ao menos dez advogados, além de lideranças e operadores financeiros do esquema. Nessa operação, o prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de cerca de R$ 32 milhões em bens e valores, como forma de garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Segundo a Polícia Federal, as ações têm como objetivo interromper as atividades criminosas, preservar provas, recuperar ativos desviados e responsabilizar os envolvidos. As investigações continuam, com a análise do material apreendido e a identificação de novos participantes no esquema.




































































