O diabetes, muitas vezes silencioso, tem avançado de forma preocupante e causado impactos profundos na vida de milhares de brasileiros. Em Minas Gerais, dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que, em média, uma pessoa é internada a cada nove segundos em decorrência de complicações associadas à doença, como infarto e insuficiência renal. Somente em 2025, foram mais de 3,5 milhões de admissões hospitalares relacionadas ao problema.
A falta de sintomas evidentes é um dos principais desafios para o diagnóstico precoce. O endocrinologista Paulo Miranda explica que, na maioria dos casos, o diabetes é identificado apenas após exames laboratoriais indicarem alterações na glicemia, muitas vezes sem que o paciente perceba qualquer sinal. Estudos apontam que quase metade das pessoas com níveis elevados de açúcar no sangue desconhecem a própria condição.
Esse foi o caso do aposentado Antônio Domingos dos Santos Filho, de 61 anos, que convive com a doença há mais de uma década. Ele relata que ignorou sintomas como sede excessiva e só buscou ajuda médica após insistência da família. Quando realizou exames, já apresentava glicemia muito acima do normal. Com o passar dos anos e a falta de adesão ao tratamento adequado no início, o quadro se agravou, resultando na perda da visão e na amputação de uma perna. Para ele, além das consequências físicas, o impacto emocional também foi significativo.
As complicações do diabetes não tratado podem ser severas. A doença é considerada uma das principais causas de cegueira adquirida e está associada a riscos elevados de neuropatia, infecções e amputações. Estimativas globais indicam que, a cada 15 segundos, uma amputação de membro inferior ocorre em decorrência da doença.
O problema atinge pessoas de todas as idades. O estudante Luiz Felipe de Almeida, hoje com 12 anos, foi diagnosticado ainda criança após apresentar um quadro grave inicialmente confundido com virose. Segundo a mãe, Lídia de Almeida, o menino chegou ao hospital em estado crítico, com níveis de glicose extremamente elevados, sendo encaminhado imediatamente à terapia intensiva. O diagnóstico revelou um caso de diabetes tipo 1, doença autoimune que exige uso contínuo de insulina e mudanças rigorosas na rotina familiar.

Especialistas alertam que existem diferentes tipos de diabetes. Enquanto o tipo 1 costuma surgir na infância e requer tratamento imediato com insulina, o tipo 2 está frequentemente associado a fatores como obesidade, sedentarismo e hipertensão, podendo evoluir de forma silenciosa por anos.
O avanço de doenças relacionadas também preocupa. Em Belo Horizonte (MG), internações por obesidade cresceram significativamente em 2025, assim como os casos de hipertensão, condições frequentemente associadas ao diabetes. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais defendem medidas como a taxação de bebidas açucaradas para conter o consumo de produtos ultraprocessados, apontados como fatores de risco.
Para o endocrinologista Rodrigo Lamounier, mudanças simples no estilo de vida podem fazer diferença na prevenção e no controle da doença. Ele destaca a importância de uma alimentação equilibrada, com redução de ultraprocessados, prática regular de atividades físicas e manutenção do peso corporal adequado.
Além de políticas públicas, os especialistas reforçam que a conscientização individual é fundamental. O diagnóstico precoce, aliado ao tratamento adequado e a hábitos saudáveis, pode evitar complicações graves. A recomendação é que, a partir dos 40 anos, a população realize check-ups regulares para monitorar a saúde.
Para Antônio, que vive as consequências do diabetes avançado, o alerta é direto: a doença pode evoluir sem sinais aparentes e, quando percebida, já pode estar em estágio avançado. Ele reforça a importância de priorizar a saúde e buscar acompanhamento médico, como forma de evitar desfechos irreversíveis.





























































