A Receita Federal do Brasil anunciou, nesta terça-feira, 24 de fevereiro, que a arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 325,7 bilhões em janeiro de 2026, consolidando o maior volume financeiro para o mês desde o início da série histórica em 1995. O montante representa uma expansão real de 3,56% acima da inflação em comparação ao mesmo período de 2025, evidenciando uma trajetória de alta na estrutura tributária nacional.
Segundo o Fisco, o parte do desempenho foi favorecido pelo crescimento da massa salarial e pelo volume de vendas nos setores de comércio e serviços, que impactaram diretamente a arrecadação da Previdência Social e das contribuições PIS/Cofins. Contudo, um dos pilares deste recorde foi a regulamentação do setor de apostas online, cujas receitas saltaram de R$ 55 milhões para R$ 1,5 bilhão em um ano, além das alterações no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que garantiram um aporte de R$ 8 bilhões.
O governo espera contar com este aumento da arrecadação para tentar atingir a meta fixada para as contas públicas em 2026. De acordo com o arcabouço fiscal aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central de superávit de R$ 34,3 bilhões. Na prática, a meta será considerada formalmente cumprida se o governo apresentar desde um saldo zero até um superávit de R$ 68,6 bilhões. No entanto, o texto legal permite que a gestão retire desse cálculo oficial cerca de R$ 57,8 bilhões em despesas, utilizando esses recursos para o pagamento de precatórios e sentenças judiciais.
Apesar do resultado recorde na arrecadação, as projeções indicam que o governo pode registrar um rombo real de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, ainda que o cálculo oficial da meta apresente um resultado positivo devido às exclusões permitidas por lei. Caso esses números se confirmem, as contas do governo devem permanecer em patamar negativo durante todo o terceiro mandato do presidente Lula. O cenário reforça a dependência de receitas extraordinárias e da manutenção do ritmo econômico para equilibrar o orçamento diante das regras do arcabouço fiscal e das despesas obrigatórias que ficam fora do teto de gastos.






























































