O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou a integrar oficialmente a lista de práticas comerciais questionadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. A decisão foi divulgada na madrugada de segunda-feira, 1º de junho, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que políticas brasileiras no setor de serviços financeiros podem prejudicar empresas americanas.
A medida faz parte de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O processo analisou práticas brasileiras em diferentes áreas, como comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção, desmatamento ilegal e serviços de pagamento eletrônico.
No relatório, o USTR afirma que o Brasil teria “desfavorecido injustamente” empresas americanas que atuam em serviços de pagamento concorrentes. Segundo o órgão, políticas adotadas pelo país teriam beneficiado um “campeão nacional”, em referência ao Pix, sistema criado e administrado pelo Banco Central.
Embora o documento não detalhe quais medidas específicas seriam discriminatórias, a investigação sustenta que o governo brasileiro favoreceu o sistema nacional em detrimento de concorrentes estrangeiros. A crítica reforça reclamações feitas por empresas americanas do setor de cartões e meios de pagamento, que apontam perda de espaço diante da expansão do Pix.
A apuração incluiu consultas públicas, audiências e a participação de mais de 30 testemunhas, além do recebimento de cerca de 295 manifestações de empresas e entidades interessadas. Ao final, o governo americano concluiu que determinadas políticas brasileiras são “irracionais ou discriminatórias” e representam uma restrição ao comércio dos Estados Unidos.

Em resposta, o governo brasileiro rejeitou as acusações. Desde o início da investigação, autoridades defendem que o Pix foi desenvolvido para ampliar a concorrência, reduzir custos nas transações financeiras e promover a inclusão bancária, sem impedir a atuação de empresas privadas, nacionais ou estrangeiras.
As críticas ocorrem em um momento de forte consolidação do Pix no Brasil. Dados do Banco Central indicam que mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram o sistema — o equivalente a cerca de 80% da população. Apenas em janeiro de 2026, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações.
O volume financeiro também chama atenção: o Pix já ultrapassa R$ 3 trilhões em movimentações mensais. O recorde diário foi registrado em 5 de dezembro de 2025, com 313,3 milhões de operações em um único dia.
Criado em 2020, o sistema se tornou um dos maiores meios de pagamento instantâneo do mundo e passou a competir diretamente com instrumentos tradicionais, como cartões de crédito, débito e transferências bancárias, fator que está no centro das queixas apresentadas por empresas americanas.
A inclusão do Pix entre as práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos reforça o argumento do governo Trump para justificar possíveis medidas de retaliação. Entre elas, está a proposta de impor uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil.
O USTR ainda deve realizar uma nova rodada de consultas públicas antes da publicação do relatório final, prevista para julho. A decisão sobre eventuais sanções comerciais caberá ao presidente dos Estados Unidos.






























































