A agência da Caixa Econômica Federal em Ituiutaba permaneceu fechada nesta quinta-feira, 10 de setembro, após funcionários aderirem à greve nacional dos empregados do banco público. Cartazes colocados na unidade informam sobre a paralisação e apresentam reivindicações da categoria, entre elas questões relacionadas à valorização salarial.
A greve começou nesta quinta-feira e foi convocada por tempo indeterminado após trabalhadores da Caixa rejeitarem a proposta apresentada pela instituição para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Mais de 90% dos empregados participantes das assembleias recusaram os termos apresentados pelo banco.
Em todo o país, 93 bases sindicais aprovaram a paralisação. Em outras 35, a proposta também foi rejeitada, mas os trabalhadores decidiram continuar negociando sem iniciar imediatamente a greve.
O movimento ocorre após uma série de negociações entre representantes dos bancários e as instituições financeiras. No caso específico da Caixa, o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, tornou-se o principal ponto de impasse.
Saúde Caixa está no centro das negociações

Um dos principais conflitos envolve a forma de custeio do Saúde Caixa e o impacto das mudanças propostas sobre os funcionários e seus dependentes.
Antes da greve, os empregados contribuíam com 3,5% do salário-base para o plano, além de R$ 480 mensais por dependente. Para dependentes entre 24 e 27 anos, a cobrança chegava a R$ 800.
Uma das propostas apresentadas pela Caixa durante as negociações previa elevar a contribuição para 5,5% do salário-base e aumentar para R$ 870 o valor mensal por dependente. Em determinadas situações, a cobrança poderia chegar a R$ 1.050.
A proposta enfrentou forte rejeição dos trabalhadores e as negociações continuaram.
Mobilização também ocorre em meio à campanha salarial
Embora o Saúde Caixa seja o principal impasse da negociação específica que levou os empregados do banco à greve, a mobilização ocorre no contexto mais amplo da Campanha Nacional dos Bancários de 2026, que também colocou em discussão salários, benefícios e condições de trabalho.
Em Ituiutaba, cartazes afixados na agência fechada fazem referência à defasagem salarial. A manifestação está relacionada às reivindicações de valorização apresentadas pela categoria durante a campanha deste ano.
Na negociação geral dos bancários, a categoria fechou acordo prevendo reajuste dos salários pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescido de 0,6% de aumento real. O mesmo critério deverá ser aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche.
Dessa forma, a greve dos empregados da Caixa não deve ser atribuída exclusivamente a uma reivindicação salarial. A paralisação nacional foi deflagrada após a rejeição da proposta do acordo específico do banco, tendo o Saúde Caixa como principal ponto de divergência, enquanto as discussões sobre remuneração e valorização dos trabalhadores fazem parte do cenário mais amplo da campanha da categoria.
Caixa apresenta nova proposta durante a greve

Com a paralisação já em andamento, a Caixa apresentou nesta quinta-feira uma nova proposta aos representantes dos empregados na tentativa de chegar a um acordo e encerrar o movimento.
Entre as medidas oferecidas estão um prêmio de R$ 3 mil por empregado, pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no dia 18 de setembro e ampliação do teto de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%.
A instituição também modificou a proposta para as contribuições dos empregados ao plano. Os percentuais passariam a variar entre 2,30% e 4,10% do salário-base, conforme a idade. Para os dependentes, os valores ficariam entre R$ 480 e R$ 660, também de acordo com a faixa etária.
A nova proposta deverá ser avaliada pelos empregados em assembleias nesta sexta-feira, 11 de setembro. Até a deliberação dos trabalhadores, a greve continua.
A Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e que busca construir um entendimento para a renovação do acordo coletivo.
Sindicato de Ituiutaba acompanha negociação
A reportagem do Canal Janela Aberta procurou Adryel Marques de Almeida, presidente do Sindicato dos Bancários de Ituiutaba, para solicitar um posicionamento sobre a adesão dos trabalhadores do município, as reivindicações apresentadas e a situação do atendimento na cidade.
Adryel informou que participava de uma reunião relacionada à nova proposta apresentada pela Caixa. Segundo ele, após o encerramento do encontro, entraria em contato com o jornalista Clésio Braga para apresentar o posicionamento do sindicato sobre as negociações e os próximos passos do movimento.
O Canal Janela Aberta também busca esclarecer junto à representação local a dimensão da defasagem salarial mencionada nos cartazes colocados na agência e quais reivindicações, além das relacionadas ao Saúde Caixa, motivaram a adesão dos trabalhadores de Ituiutaba.
Clientes devem recorrer aos canais alternativos
Com a agência de Ituiutaba fechada, clientes que necessitam de serviços da Caixa devem recorrer, quando possível, aos canais alternativos de atendimento.
Durante a greve, permanecem disponíveis aplicativos da instituição, internet banking, Caixa Tem, terminais de autoatendimento e Banco24Horas. A Caixa também mantém atendimento telefônico.
Enquanto durar a paralisação, é recomendável que os clientes utilizem os canais digitais e remotos para realizar operações bancárias.
A continuidade do fechamento da agência em Ituiutaba dependerá do andamento das negociações e da decisão dos empregados sobre a nova proposta. Até o momento, não há uma data definida para o encerramento da greve.






























































