A quebra de sigilos bancário e fiscal aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS revelou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, movimentou cerca de R$ 19,5 milhões em uma conta bancária ao longo de quatro anos.
De acordo com documentos analisados pela comissão, as transações ocorreram entre janeiro de 2022 e 30 de janeiro de 2026. Nesse período, foram registrados aproximadamente R$ 9,8 milhões em entradas e valor semelhante em saídas na conta do empresário.
Os registros também apontam que Lulinha recebeu R$ 721 mil em transferências do presidente Lula, distribuídos em três operações. A maior delas, no valor de R$ 384 mil, foi realizada em julho de 2022, período próximo ao início da campanha eleitoral. As outras duas transferências ocorreram em dezembro de 2023.
Em nota, a defesa do empresário afirmou que os valores transferidos têm origem em “adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança”.
A quebra de sigilo foi autorizada após investigações da Polícia Federal apontarem suspeitas de que o empresário teria mantido relações comerciais com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele está preso e é apontado como o principal operador de um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos em aposentadorias e pensões do INSS.
Integrantes do Partido dos Trabalhadores afirmam que os documentos obtidos pela CPMI não demonstram qualquer transação entre Lulinha e o investigado. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) criticou o vazamento das informações bancárias e afirmou que os dados desmentem acusações feitas por parlamentares da oposição.
“Cadê a mesada que diziam existir? Cadê a relação dele com o Careca do INSS? Não existe nada. O que houve foi uma tentativa deliberada de manipular dados bancários para criar uma narrativa falsa”, declarou o parlamentar.
A defesa de Fábio Luís recorreu ao Supremo Tribunal Federal pedindo a suspensão imediata da quebra de sigilo, aprovada pela CPMI em sessão marcada por tumulto e embates entre parlamentares.
No início deste ano, o ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a examinar os dados financeiros do empresário, diante da suspeita de que ele poderia atuar como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes.
Governistas também questionaram a votação que aprovou os requerimentos de quebra de sigilo, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu manter a validade da deliberação da comissão.
Já nesta quarta-feira, 4 de março, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão da quebra de sigilo da lobista Roberta Luchsinger, investigada no mesmo contexto. Com base nessa decisão, os advogados de Lulinha pediram ao STF a extensão da medida também ao empresário.






























































