O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil e determinou que políticas adotadas pelo país em seis áreas prejudicam empresas e interesses americanos. Como resposta, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre bens importados do Brasil.
A decisão foi anunciada na noite de segunda-feira, 1º de junho, já na madrugada de terça-feira, 2 de junho, em Brasília, e ainda passará por consulta pública antes da elaboração do relatório final, previsto para ser divulgado até 15 de julho. A decisão definitiva sobre a adoção das medidas caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A investigação, aberta em julho de 2025, identificou problemas em seis frentes: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
No campo do comércio digital, o relatório critica decisões da Justiça brasileira que determinaram a remoção de conteúdos e a suspensão de perfis em plataformas americanas, além da aplicação de multas em caso de descumprimento. Já no setor de pagamentos eletrônicos, o documento sustenta que o Brasil favorece empresas nacionais, especialmente por meio de políticas relacionadas ao Pix, em prejuízo de concorrentes estrangeiros.
Outro ponto levantado é a concessão de tarifas preferenciais a países como México e Índia, sem tratamento equivalente para produtos americanos. Na área de combate à corrupção, os Estados Unidos apontam falhas na investigação e punição de casos de suborno. Em relação à propriedade intelectual, o relatório menciona dificuldades no combate à pirataria e à falsificação, além da lentidão na análise de pedidos de patentes.

O documento também critica a falta de reciprocidade tarifária para o etanol americano e afirma que o Brasil não aplica de forma efetiva sua legislação para conter o desmatamento ilegal.
Apesar da proposta de tarifa de 25%, o USTR excluiu uma lista de produtos considerados estratégicos para a economia americana ou cuja oferta interna é insuficiente. Entre os itens poupados estão carne bovina, castanhas e diversas frutas tropicais, como coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja e limão.
A indústria aeronáutica também foi preservada da possível taxação. Permanecem fora da medida aeronaves civis, motores, peças, componentes e simuladores de voo.
O governo americano abriu prazo para participação do setor privado no processo. Pedidos para participação em audiência pública podem ser apresentados até 22 de junho, enquanto contribuições por escrito serão aceitas até 1º de julho. A audiência está prevista para 6 de julho.
Segundo o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o país continuará negociando com o governo brasileiro antes da conclusão do processo. Ele afirmou que houve avanços nas conversas, mas ainda existem divergências significativas entre as partes.
Paralelamente, o Brasil também é alvo de uma segunda investigação conduzida pelo USTR, iniciada neste ano, que apura a possível entrada de produtos fabricados com trabalho forçado no mercado americano. A análise integra uma apuração mais ampla que envolve cerca de 60 países.






























































