Minas Gerais liderou o crescimento de homicídios estimados no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, 26 de maio. O levantamento considera dados de 2024 e aponta que o estado registrou 3.949 mortes violentas no período.
Apesar do aumento expressivo, Minas ainda figura entre os estados com menores taxas de letalidade do país, com 18,5 homicídios a cada 100 mil habitantes. O contraste, no entanto, chama atenção quando comparado ao ano anterior. Em 2023, haviam sido contabilizados 2.961 casos, o que representa uma alta de 25% em apenas um ano, a maior variação entre os estados brasileiros.
O estudo foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e leva em consideração não apenas os homicídios registrados, mas também os chamados “homicídios ocultos”.
Na comparação nacional, Minas Gerais ficou à frente de estados como Ceará, que teve alta de 23,8%, São Paulo (10,3%), Maranhão (7,8%) e Alagoas (3,6%).
Ainda assim, o estado permanece entre os cinco com menores índices proporcionais de homicídios. No extremo oposto, o Amapá apresentou a maior taxa do país, com 47,1 mortes por 100 mil habitantes. Segundo os pesquisadores, a distribuição da violência letal no Brasil segue “altamente desigual” entre as regiões.

Em nível nacional, o Atlas aponta uma queda de 26,9% na taxa de homicídios entre 2014 e 2024, indicando uma melhora considerada relevante ao longo da última década. No entanto, o relatório ressalta que ainda há locais onde a violência apresenta agravamento ou redução insuficiente.
Em Minas Gerais, os registros oficiais apontam 2.731 homicídios em 2024, número 2,3% menor do que o registrado em 2023. No entanto, ao incluir as chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), o cenário muda significativamente.
De acordo com o Atlas, foram contabilizadas 1.218 mortes classificadas como causa indeterminada em 2024, um aumento de 240,2% em relação ao ano anterior. Esses casos são considerados “homicídios ocultos”, já que envolvem situações em que não é possível determinar se a morte foi provocada por crime, acidente ou outras circunstâncias.
Especialistas apontam que esse tipo de classificação pode mascarar a real dimensão da violência, dificultando análises mais precisas sobre a segurança pública.
Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais afirmou, em nota, que a metodologia utilizada pelo Atlas considera dados da área da saúde, que nem sempre permitem a identificação imediata da causa da morte.
Segundo a pasta, em ocorrências com indícios de violência, profissionais de saúde acionam as forças de segurança, mas a classificação inicial pode permanecer como “causa indeterminada” diante da falta de elementos conclusivos. A secretaria também destacou que monitora diariamente os índices de criminalidade nos 853 municípios mineiros e adota estratégias integradas para prevenção e repressão qualificada.






























































