O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou, na noite deste domingo, 15 de janeiro, o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O enredo da agremiação retratou a trajetória pessoal e política do atual mandatário. Durante o evento, o presidente permaneceu a maior parte do tempo no camarote da prefeitura, realizando uma breve descida à avenida ao lado do prefeito Eduardo Paes para cumprimentar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira.
A apresentação da escola contou com referências biográficas e políticas. A narrativa visual incluiu passagens por Garanhuns, São Paulo e Brasília, além de momentos como as posses presidenciais e o período em que esteve preso (2018-2019). O presidente foi representado pelo humorista Paulo Vieira e por uma escultura metálica de 18 metros.
Uma das alas do desfile chamou a atenção ao representar, com fantasias de latas de conserva, um grupo classificado como “neoconservadores”. Entre os retratados estavam representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, evangélicos e mulheres da classe alta, simbolizando setores que, segundo a escola, se opõem às principais pautas defendidas por Lula, como a rejeição a privatizações e mudanças na escala 6×1 de trabalho. Outras personalidades também foram retratadas, incluindo as ex-primeiras-damas Marisa Letícia e Janja, esta última substituída no desfile pela cantora Fafá de Belém por recomendações jurídicas, além de figuras como Dilma Rousseff, Alexandre de Moraes e opositores políticos como Jair Bolsonaro e o governo de Donald Trump.
O evento foi marcado por um conjunto de cautelas administrativas e eleitorais. O Palácio do Planalto, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), consultou a Comissão de Ética Pública e a Advocacia-Geral da União sobre a participação de autoridades no Carnaval. Foram emitidas quatro diretrizes principais: proibição de manifestações que caracterizem propaganda antecipada; veto ao uso de diárias e passagens públicas para festas privadas; recusa de convites que configurem conflito de interesse; e a obrigatoriedade de registro de atividades institucionais nas agendas oficiais. Houve, ainda, uma orientação para que ministros de Estado não desfilassem.
O Partido dos Trabalhadores também publicou uma cartilha com normas de conduta para militantes e dirigentes. O documento reforçou que o desfile possuía caráter estritamente cultural e proibiu o uso de adereços com o número 13, referências às eleições de 2026 ou expressões de cunho eleitoral. A sigla orientou que entrevistas se restringissem à importância cultural do Carnaval e à trajetória histórica de Lula, evitando menções a ações de governo ou críticas a pré-candidatos.
A oposição tentou, sem sucesso, barrar judicialmente o samba-enredo e o repasse de recursos públicos à escola. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou os pedidos, mas ressaltou que eventuais irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral antecipada poderão ser julgadas caso fiquem caracterizadas durante o evento.






























































