O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, gerou reações críticas de parlamentares e governadores da oposição. As manifestações focaram na omissão de escândalos de corrupção do enredo, no uso de verbas públicas para o que classificaram como propaganda eleitoral e no teor das sátiras direcionadas a grupos conservadores.
O senador Sergio Moro (União-PR) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) questionaram a ausência de referências às investigações da Operação Lava Jato na biografia apresentada pela escola. Moro ironizou a falta de menções a empreiteiras e ao sítio de Atibaia, classificando o evento como um “espetáculo de abuso de poder”. Dallagnol, por sua vez, definiu a homenagem como uma “revisão histórica com verba pública”, afirmando que a apresentação criou a imagem de um homem que não condiz com os fatos investigados a partir de 2014.
Nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou sobre o desfile, estabelecendo um paralelo com o cenário eleitoral de 2022. O parlamentar sugeriu que haveria uma disparidade no tratamento da Justiça Eleitoral, afirmando que, se uma homenagem similar tivesse sido feita ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante a última campanha presidencial, as consequências jurídicas seriam severas, incluindo prisões, buscas e apreensões no partido e no barracão da escola, além de “inelegibilidade vitalícia”.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), direcionaram suas críticas à ala “neoconservadores em conserva”. A representação de evangélicos e produtores rurais dentro de latas cenográficas configurou “preconceito religioso” e “zombaria” contra setores da sociedade, afirmaram. Damares anunciou que adotará medidas judiciais contra o que chamou de “perseguição religiosa” financiada com recursos públicos, ressaltando que a Igreja Evangélica merece respeito. Zema reforçou a intenção de levar o caso à Justiça, afirmando ser inadmissível que cidadãos financiem um ato que classificou como criminoso e preconceituoso.
As condenações de Lula nos casos do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá, mencionadas por Moro, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob o entendimento de que o foro competente para os processos seria Brasília, e não Curitiba. O enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, que exaltou a trajetória do petista, marcou a primeira vez na história que um presidente em exercício foi o tema central de uma escola de samba no Carnaval do Rio de Janeiro.
A homenagem ao presidente ocorre em meio ao cenário pré-eleitoral, o que gerou reações de aliados e adversários do petista. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou os pedidos feito pela oposição de barrar o samba-enredo, mas ressaltou que eventuais irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral antecipada poderão ser julgadas caso fiquem caracterizadas durante o evento.






























































