Três funcionários do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foram presos suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, em novembro e dezembro do ano passado. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF e recebeu o nome de Operação Anúbis.
Um dos principais investigados é um técnico de enfermagem de 24 anos. Segundo o delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso, o funcionário teria se aproveitado do sistema do hospital que estava aberto na conta de um médico para prescrever indevidamente um medicamento, retirar o remédio na farmácia e aplicá-lo em três pacientes sem qualquer autorização da equipe médica.
As investigações apontam que dois pacientes morreram no dia 19 de novembro, enquanto o terceiro óbito foi registrado em 1º de dezembro. Ainda conforme a polícia, o técnico contou com o apoio de outras duas técnicas de enfermagem, que teriam colaborado no acesso ao medicamento e acompanhado a aplicação.
“Ele preparou o medicamento, colocou na seringa, escondeu no jaleco e aplicou nas vítimas. Duas morreram no dia 19 e outra no dia 1º. Ele contou com a conivência de outras duas técnicas que estavam presentes no momento”, afirmou o delegado.
Além do medicamento incorreto, o suspeito também teria aplicado desinfetante ao menos dez vezes, com uma seringa, em uma paciente de 75 anos, no mesmo dia em que ela sofreu várias paradas cardíacas.
A Polícia Civil informou que dois dos investigados foram presos no dia 11 de janeiro, quando também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Na última quinta-feira, 15 de janeiro, a segunda fase da operação resultou na prisão temporária de outra técnica de enfermagem, além da apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
As vítimas são uma professora aposentada, de 75 anos, moradora de Taguatinga; um servidor público, de 63 anos, do Riacho Fundo I; e um carteiro, funcionário dos Correios, de 33 anos, de Brazlândia.
A suspeita dos crimes partiu da própria unidade hospitalar, que identificou circunstâncias atípicas envolvendo os óbitos na UTI. Diante disso, o hospital instaurou um comitê interno para apuração dos fatos e, em menos de 20 dias, reuniu evidências que foram encaminhadas às autoridades policiais.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que agiu de forma transparente, instaurando investigação interna por iniciativa própria, e que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos. O caso corre em segredo de justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais e a identificação dos envolvidos.






























































