Uma investigação que há mais de um ano apura possíveis irregularidades envolvendo cargos públicos na Câmara Municipal de Uberaba teve um novo desdobramento nesta terça-feira, 1º de setembro. O vereador Almir Pereira da Silva (Republicanos) foi preso temporariamente durante uma ação da Polícia Civil.
A prisão faz parte da segunda fase da Operação Caça-Fantasma. Ao todo, além da ordem contra o parlamentar, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão.
Parte da operação ocorreu no anexo da Câmara Municipal. Policiais estiveram no gabinete de Almir e recolheram documentos e outros materiais que serão submetidos à perícia.
A nova ofensiva policial ocorre depois de diferentes etapas de uma investigação que já resultou no indiciamento do vereador e de outras pessoas e, posteriormente, em denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A Polícia Civil confirmou a realização da operação nesta terça-feira. Como o processo está sob sigilo judicial, detalhes sobre os elementos que fundamentaram a prisão temporária e as novas buscas não foram divulgados.
Suspeita envolve cargos de assessoria parlamentar

Um dos pontos investigados é a possível utilização de cargos de assessoria para manter pessoas formalmente vinculadas à Câmara sem que elas efetivamente desempenhassem as funções correspondentes.
Em junho deste ano, o MPMG denunciou Almir e outras quatro pessoas por suposta participação em um esquema envolvendo servidores fantasmas.
Segundo a denúncia, assessores teriam sido nomeados oficialmente, embora não exercessem as atividades para as quais haviam sido contratados.
Na mesma ocasião, o Ministério Público pediu que o vereador fosse afastado cautelarmente do mandato. A solicitação não foi acolhida.
Caso começou a avançar ainda em 2025

A atuação das autoridades contra o suposto esquema já havia levado policiais a endereços ligados aos investigados em julho de 2025. A residência de Almir esteve entre os locais onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Documentos e equipamentos eletrônicos foram recolhidos naquela etapa para auxiliar na apuração de possíveis crimes contra a administração pública.
Meses depois, em fevereiro de 2026, a Polícia Civil encerrou o inquérito com o indiciamento do vereador e de outras 17 pessoas.
As investigações apontaram para a possível existência de um esquema entre 2023 e 2024, com participação de diferentes pessoas, entre elas empresários e servidores públicos.
O prejuízo atribuído às irregularidades investigadas ultrapassa R$ 1 milhão aos cofres públicos.
Gabinete volta a ser alvo
Com a segunda fase da Operação Caça-Fantasma, as diligências chegaram novamente ao ambiente de trabalho do parlamentar.
A presença de equipes policiais e viaturas nas primeiras horas desta terça-feira chamou a atenção nas proximidades do anexo da Câmara. No gabinete, materiais considerados de interesse para a investigação foram recolhidos.
A Câmara Municipal confirmou o cumprimento das ordens judiciais e informou não possuir, até o momento, informações oficiais suficientes sobre o conteúdo, as circunstâncias e os possíveis desdobramentos da operação.
O Legislativo também esclareceu que não havia decisão determinando o afastamento de Almir do mandato.
A prisão determinada nesta nova fase é temporária. As apurações permanecem sob sigilo judicial.





























































