Um novo avanço no tratamento do colesterol alto foi anunciado nesta quinta-feira, 16 de julho, com a aprovação, pela FDA, do Lipfendra (enlicitide). O medicamento é o primeiro comprimido de uma classe terapêutica que, até então, só estava disponível por meio de injeções.
A novidade pode representar uma mudança importante no controle do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, especialmente entre pacientes com maior risco cardiovascular. Estudos clínicos indicam que o fármaco é capaz de reduzir em até 60% os níveis de LDL, desempenho comparável ao dos já conhecidos inibidores de PCSK9 aplicados por via injetável.
Até agora, os medicamentos dessa classe, considerados entre os mais eficazes para reduzir o colesterol, enfrentavam limitações relacionadas ao custo, à necessidade de aplicações periódicas e à menor adesão dos pacientes. A versão oral surge como uma alternativa que pode facilitar o uso contínuo e ampliar o acesso à terapia.
A aprovação foi baseada em estudos clínicos de fase 3 que demonstraram redução significativa do LDL em diferentes perfis de pacientes, incluindo aqueles com hipercolesterolemia familiar, condição genética que eleva os níveis de colesterol desde a juventude, e também pessoas que já utilizavam estatinas.
Enquanto as estatinas, ainda consideradas o tratamento de primeira linha, atuam reduzindo a produção de colesterol no fígado, o Lipfendra age por outro mecanismo: a inibição da proteína PCSK9. Essa proteína interfere na capacidade do organismo de remover o colesterol da corrente sanguínea.

Segundo o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o bloqueio da PCSK9 permite que os receptores responsáveis por eliminar o LDL permaneçam ativos por mais tempo, aumentando a retirada do colesterol do sangue.
Diretrizes recentes da American Heart Association e do American College of Cardiology recomendam níveis cada vez mais baixos de colesterol para pacientes com risco cardiovascular. A orientação é manter o LDL abaixo de 70 mg/dL na maioria dos casos e inferior a 55 mg/dL para pessoas com risco muito elevado ou histórico de infarto.
De acordo com especialistas, o controle rigoroso do colesterol tem impacto direto na prevenção de doenças como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “Quanto mais baixo o LDL, melhor, e quanto mais cedo isso acontece, menor o risco de doenças ao longo da vida”, afirma Mattar.
Embora o mecanismo de ação já seja conhecido, a principal inovação do Lipfendra está na forma de administração. Atualmente, medicamentos dessa classe são comercializados apenas como injetáveis, como o Repatha e o Praluent.
Esses tratamentos já demonstraram reduzir em cerca de 20% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, quando associados às estatinas. Há ainda alternativas como a inclisirana, aplicada semestralmente, que também atua sobre a proteína PCSK9, mas por um mecanismo diferente.
Nos estudos conduzidos pela Merck, o novo comprimido apresentou eficácia semelhante à das versões injetáveis, sem aumento relevante de efeitos adversos. A farmacêutica segue investigando se o medicamento também será capaz de reduzir infartos, AVCs e mortes cardiovasculares na mesma proporção já observada com outras terapias.
A aprovação do Lipfendra ocorre em meio a um cenário de rápida evolução no tratamento do colesterol. Pesquisas em andamento buscam alternativas cada vez mais eficazes e práticas, com o objetivo de melhorar a adesão dos pacientes e ampliar os resultados clínicos.
Especialistas avaliam que a chegada da versão oral dos inibidores de PCSK9 pode representar um avanço importante, especialmente para pacientes que necessitam de uma redução mais agressiva do colesterol e enfrentam dificuldades com tratamentos injetáveis.
Apesar do otimismo, ainda serão necessários estudos adicionais para confirmar se o novo medicamento terá o mesmo impacto na redução de eventos cardiovasculares. Até lá, a expectativa é de que o comprimido ofereça uma combinação de eficácia e praticidade, ampliando as opções no combate ao colesterol alto.




























































