O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” consolidou um novo e lucrativo nicho na indústria farmacêutica brasileira. Dados inéditos apontam que medicamentos amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, e cada vez mais buscados para controle de peso, movimentaram cifras bilionárias em apenas um ano, refletindo tanto a alta demanda quanto mudanças no perfil de consumo de saúde no país.
Levantamento da Close-Up International Brasil, que monitora o desempenho de farmácias e drogarias em todo o território nacional, mostra que os medicamentos Mounjaro, Wegovy e Ozempic somaram R$ 13,3 bilhões em faturamento entre maio de 2025 e maio de 2026. O destaque ficou para o Mounjaro, que rapidamente assumiu a liderança do mercado, mesmo com menor tempo de comercialização no Brasil.
Lançado no país em maio de 2025, o medicamento da farmacêutica Lilly alcançou mais de R$ 8,5 bilhões em vendas no período analisado, superando com folga seus concorrentes diretos. O Wegovy, da Novo Nordisk, registrou cerca de R$ 3,7 bilhões, enquanto o Ozempic, da mesma fabricante, apresentou retração significativa, fechando o período com pouco mais de R$ 1,1 bilhão.
Além do faturamento expressivo, o volume de unidades comercializadas também chama atenção. O Mounjaro saltou de pouco mais de 200 mil unidades vendidas para mais de 4,5 milhões em apenas um ano, um crescimento superior a 2.000%. Já o Wegovy manteve avanço consistente, com alta próxima de 19% no mesmo intervalo.
Especialistas apontam que o crescimento acelerado está diretamente ligado à popularização dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2. Ao promoverem maior sensação de saciedade e contribuírem para o controle glicêmico, esses fármacos passaram a ser amplamente utilizados também no tratamento da obesidade.

Para analistas do setor, a tendência é de expansão ainda maior desse mercado, impulsionada pela chegada de novos produtos e pela expectativa de redução de preços com o vencimento de patentes. Esse cenário pode ampliar o acesso da população aos tratamentos, aumentando o número de pacientes que conseguem iniciar o uso da medicação.
Apesar do crescimento expressivo, o avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” também levanta preocupações entre especialistas da área da saúde. O principal alerta está relacionado ao uso indiscriminado e sem acompanhamento médico, prática que pode trazer riscos e comprometer os resultados do tratamento.
De acordo com endocrinologistas, embora esses medicamentos representem uma importante ferramenta no enfrentamento da obesidade e de doenças associadas, seu uso deve ser feito de forma criteriosa e individualizada. O tratamento exige avaliação clínica, definição adequada de doses e monitoramento contínuo de possíveis efeitos adversos.
Outro ponto destacado é que a medicação não deve ser vista como solução isolada. Profissionais reforçam que o controle do peso envolve uma abordagem mais ampla, incluindo mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional e, em alguns casos, suporte multidisciplinar.
Com vendas em alta e maior presença nas farmácias, o desafio agora passa a ser equilibrar o acesso ampliado com o uso responsável, garantindo que os benefícios dessas terapias não sejam ofuscados por práticas inadequadas ou expectativas irreais.





























































