Mesmo diante da recente queda no preço do cacau no mercado internacional, os chocolates típicos da Páscoa continuam pesando no bolso do consumidor em 2026. É o que aponta levantamento divulgado pelo Procon de Juiz de Fora (MG), com base em pesquisa realizada em estabelecimentos físicos e virtuais.
O estudo foi conduzido entre os dias 16 e 27 de março e analisou produtos comercializados em 35 lojas físicas e seis sites, incluindo grandes redes e marcas do setor. Foram comparados preços de ovos de Páscoa e outros chocolates, além de aspectos como composição, embalagens e a presença de brindes. Na Páscoa de 2026, os ovos de chocolate registraram um aumento médio significativo, situando-se em torno de 11% a mais de 25% em relação aos preços de 2025, dependendo da pesquisa e região.
Um dos principais destaques é a significativa variação de preços entre os estabelecimentos, o que, segundo o Procon, reforça a necessidade de pesquisa por parte do consumidor. Outro ponto relevante é o custo por peso que em muitos casos, os ovos de Páscoa apresentam valor mais elevado do que barras de chocolate com quantidade semelhante.
A pesquisa também detalha os fatores que explicam por que a queda no preço do cacau ainda não chegou ao consumidor. Entre 2024 e 2025, a commodity atingiu patamares recordes, superando 12 mil dólares por tonelada, impulsionada por problemas climáticos em regiões produtoras da África. Embora tenha havido redução entre 2025 e 2026, o reflexo no varejo não é imediato.

Isso ocorre, principalmente, porque a indústria trabalha com estoques adquiridos anteriormente, quando os custos estavam mais altos. Além disso, o preço final do chocolate envolve outros elementos, como logística, embalagens, energia e margens de lucro.
Outro aspecto apontado pelo levantamento é a mudança na composição dos produtos. Para compensar o aumento do custo do cacau nos últimos anos, fabricantes passaram a reduzir o teor do ingrediente e aumentar a quantidade de açúcar e gorduras, o que pode impactar diretamente na qualidade do chocolate oferecido ao consumidor.
Segundo o Procon, há ainda uma tendência do mercado em repassar rapidamente aumentos de custos, mas retardar a redução dos preços quando há queda das matérias-primas.
Diante desse cenário, a principal recomendação é que o consumidor redobre a atenção na hora da compra. Comparar preços entre diferentes lojas, observar o valor por peso e avaliar se brindes e embalagens justificam o custo adicional são estratégias que podem ajudar a economizar.
A pesquisa conclui que a Páscoa de 2026 ocorre em um contexto atípico, onde apesar da queda no preço do cacau, o chocolate segue caro, exigindo planejamento e consumo consciente por parte da população.






























































