O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho, a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem caráter preventivo, enquanto são investigados relatos de reações adversas em pessoas imunizadas.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foram identificados 42 episódios classificados como reações severas após a vacinação. Entre esses casos, três foram considerados graves, incluindo dois óbitos. Até o momento, não há comprovação de que as mortes tenham sido causadas diretamente pelo imunizante.
A vacinação com a dose vinha sendo realizada desde o início do ano em projetos-piloto nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), contemplando pessoas entre 15 e 59 anos. No total, cerca de 500 mil doses foram aplicadas até o dia 30 de maio.
O imunizante também passou a ser oferecido, em fevereiro, a profissionais da atenção primária à saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), com previsão de alcançar aproximadamente 1,2 milhão de trabalhadores. Em março, houve ainda ações de vacinação em Araguaína (TO).
Segundo Padilha, a suspensão visa permitir uma análise mais aprofundada dos eventos registrados, incluindo a identificação de possíveis fatores de risco entre os vacinados. “A medida tem caráter de precaução para garantir a segurança da população enquanto os estudos avançam”, afirmou durante coletiva.
Apesar da interrupção, as doses permanecerão armazenadas nas unidades de saúde, mas sem aplicação neste momento. O ministério orienta que pessoas vacinadas recentemente, especialmente nos últimos 21 dias, fiquem atentas a eventuais sintomas e procurem acompanhamento médico caso necessário.

O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, destacou que o imunizante passou por todas as etapas exigidas de testes clínicos antes da liberação, incluindo estudos com cerca de 11 mil participantes. Segundo ele, os casos agora observados são considerados raros e não haviam sido identificados nas fases anteriores.
A vacina do Butantan foi aprovada pela Anvisa no final de 2025 e apresenta eficácia geral de 65%, chegando a 85% na prevenção de casos graves da doença. Atualmente, o SUS também disponibiliza a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2026, o país registra uma redução significativa nos casos de dengue em comparação com anos anteriores, com queda expressiva tanto no número de infecções quanto de óbitos.






























































