O surto de ebola na República Democrática do Congo já deixou ao menos 600 mortos, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde, que monitora a evolução da doença com base em informações das autoridades locais. A epidemia, considerada uma das mais desafiadoras dos últimos anos no país, ainda apresenta avanço e tem dimensão considerada incerta por especialistas.
De acordo com o levantamento mais atualizado, divulgado em 7 de julho, o país africano soma 1.759 casos confirmados da doença, enquanto Uganda registra dois óbitos e 20 infecções. A OMS alerta que a propagação do vírus continua ativa e pode se estender por vários meses, o que mantém a comunidade internacional em estado de atenção.
“A epidemia continua se propagando e a verdadeira magnitude ainda não foi completamente determinada”, afirmou Anne Ancia, representante da OMS na RDC. Segundo ela, mesmo com avanços no enfrentamento da doença, o sistema de saúde enfrenta forte pressão. “Apesar dos avanços promissores, continuamos enfrentando desafios importantes. Os centros de tratamento atuais operam com aproximadamente 90% de sua capacidade, o que exerce uma pressão considerável sobre a resposta de saúde”, acrescentou.
O epicentro do surto está na província de Ituri, no nordeste do país, região que faz fronteira com Sudão do Sul e Uganda. O vírus também já foi identificado em áreas das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, locais marcados por instabilidade e presença de grupos armados, o que dificulta as ações de contenção.

Ainda segundo a OMS, fatores como deslocamento de populações, insegurança e fragilidade estrutural do sistema de saúde têm dificultado o controle da epidemia. “Os deslocamentos de população, a insegurança persistente e a fragilidade do sistema de saúde continuam dificultando os esforços para controlar a epidemia”, explicou Ancia. Ela também destacou a necessidade de ampliar a assistência humanitária. “As necessidades humanitárias continuam significativas, especialmente em termos de proteção da população civil e de acesso a alimentos e serviços essenciais de saúde”, afirmou.
Declarada oficialmente em 15 de maio, esta é a 17ª epidemia de ebola na RDC e envolve a variante Bundibugyo, para a qual ainda não há vacina ou tratamento específico aprovado. Diante desse cenário, a OMS iniciou, em 2 de junho, um ensaio clínico com dois tratamentos experimentais voltados para essa variante rara, além de autorizar o uso emergencial de um novo teste de diagnóstico molecular para acelerar a detecção dos casos.
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica grave. Nas últimas cinco décadas, a doença já causou mais de 15 mil mortes em diferentes países africanos. Na própria RDC, o surto mais severo ocorreu entre 2018 e 2020, quando milhares de pessoas foram infectadas e quase dois terços dos casos evoluíram para óbito.




























































