O número de vítimas do forte terremoto que atingiu a Venezuela na última semana continua a crescer e já chega a 2.295 mortos, segundo balanço oficial divulgado nesta quarta-feira, 1º de julho. Mais de 11 mil pessoas ficaram feridas, enquanto milhares seguem afetadas pela destruição causada pelos tremores.
Os dados foram atualizados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que também apontou um aumento significativo no total de atingidos desde o último levantamento. Apesar disso, especialistas alertam que os números podem estar subestimados, já que corpos continuam sendo retirados dos escombros e há dificuldades na identificação das vítimas.
Quase uma semana após o desastre, o cenário no país é de agravamento da crise humanitária. Hospitais danificados e a escassez de profissionais de saúde têm colocado o sistema médico sob forte pressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), diversas unidades operam além da capacidade, enquanto outras deixaram de funcionar completamente após sofrerem danos estruturais.
A redução no número de resgates também preocupa. Nos primeiros dias após o terremoto, milhares de pessoas foram retiradas com vida, mas, mais recentemente, os salvamentos diminuíram drasticamente. Na terça-feira, apenas uma criança foi encontrada viva após permanecer seis dias sob os escombros, um caso considerado raro pelas equipes de busca.
Especialistas explicam que as chances de sobrevivência caem significativamente após as primeiras 72 horas, embora fatores como acesso à água e condições climáticas possam prolongar esse período em situações excepcionais.

Enquanto isso, voluntários têm atuado paralelamente às autoridades, muitas vezes antecipando ações de resgate diante da lentidão na resposta oficial. Em várias regiões, moradores se mobilizam por conta própria para localizar familiares e vizinhos desaparecidos.
Além da busca por sobreviventes, o país enfrenta agora desafios ligados às condições sanitárias. Estima-se que o terremoto tenha gerado cerca de 1,2 milhão de toneladas de entulho, o que dificulta o acesso a áreas afetadas e agrava os riscos à saúde pública.
Milhares de desabrigados seguem vivendo em condições precárias, abrigados em carros, praças ou estruturas improvisadas. A falta de água potável, saneamento básico e itens de higiene aumenta a preocupação com a disseminação de doenças infecciosas, como sarampo, dengue, febre-amarela e malária.
O estado de La Guaira, na região costeira próxima à capital Caracas, é o mais afetado. No local, a escassez de alimentos e a superlotação de abrigos têm intensificado o sofrimento da população.
De acordo com autoridades e agências internacionais, ao menos 38 hospitais foram danificados em todo o país. Parte dessas unidades já não funciona, enquanto outras operam em condições críticas, lidando com um volume crescente de pacientes e infraestrutura comprometida.
A crise é agravada pela falta de profissionais especializados, muitos deles ainda desaparecidos ou vítimas do desastre. O cenário reflete também problemas estruturais antigos do sistema de saúde venezuelano, marcado por anos de subfinanciamento e pela saída de milhões de cidadãos, incluindo médicos e enfermeiros.
Diante da gravidade da situação, organizações humanitárias intensificaram sua presença nas áreas atingidas. Entidades como a Cruz Vermelha e o Programa Alimentar Mundial têm distribuído alimentos, medicamentos e itens básicos à população, que enfrenta longas filas sob condições adversas.





























































