O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho, a aplicação de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros e quatro empresas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Das quatro empresas, três têm sede no Brasil e uma em Portugal. A medida foi formalizada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e integra uma ofensiva mais ampla contra organizações criminosas classificadas recentemente como terroristas internacionais.
De acordo com o comunicado oficial, os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foram incluídos na lista de sanções sob a acusação de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa. As empresas atingidas são a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, esta última sediada em Portugal.
A decisão ocorre após o governo norte-americano ter classificado, em junho, o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida amplia o alcance das autoridades dos EUA para adotar ações mais rígidas, incluindo sanções unilaterais contra indivíduos e empresas estrangeiras suspeitas de envolvimento com essas organizações.
No comunicado, o Departamento do Tesouro descreve o PCC como uma das principais estruturas criminosas transnacionais do hemisfério ocidental, apontando a facção como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. O governo também sustenta que o grupo utiliza o sistema financeiro norte-americano para movimentar e ocultar recursos ilícitos.
Segundo as autoridades, Shimada seria um dos principais articuladores da rede, atuando como ligação entre integrantes da facção em território norte-americano e operadores internacionais. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilegais, utilizando inclusive criptomoedas para transferir valores ao Brasil. As investigações mencionadas pelos EUA teriam como base operações conduzidas no estado da Flórida.

O nome de Shimada também aparece em apurações no Brasil. Em 2025, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro em um caso envolvendo uma empresa que patrocinava um clube de futebol brasileiro. No entanto, o comunicado norte-americano não detalha a identidade da agremiação.
Já Stella Stefanie, segundo o governo dos EUA, teria atuado como auxiliar direta de Shimada, desempenhando funções administrativas e operacionais, incluindo a intermediação de valores em espécie e suporte logístico às operações financeiras investigadas.
A ofensiva norte-americana também menciona que outros integrantes da suposta rede foram presos em janeiro deste ano nos Estados Unidos, reforçando a linha de investigação que aponta para a atuação internacional da facção.
Em nota, o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira dos EUA destacou que as medidas visam conter o avanço de organizações criminosas estrangeiras dentro do território norte-americano, especialmente aquelas envolvidas na geração e circulação de recursos ilícitos.
A iniciativa, no entanto, ocorre em meio a divergências diplomáticas. O governo brasileiro já havia se posicionado contra a classificação de facções nacionais como organizações terroristas, argumentando que o enquadramento pode abrir precedentes para ações externas mais incisivas em território brasileiro.





























































