O Banco Central do Brasil decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já era esperada pelo mercado financeiro, mesmo diante de um cenário internacional adverso.
O corte representa a segunda redução consecutiva da taxa, após um longo período em que os juros permaneceram em 15% ao ano, patamar mantido entre junho de 2025 e março de 2026, o mais elevado em quase duas décadas.
Apesar do movimento de queda, o ambiente externo segue como fator de preocupação. As tensões envolvendo a guerra no Oriente Médio têm impactado diretamente os preços de combustíveis e alimentos, dificultando o controle da inflação e exigindo cautela por parte da autoridade monetária.
Em comunicado, o Copom destacou o aumento das incertezas no cenário econômico. Segundo o colegiado, as projeções de inflação se afastaram ainda mais da meta estabelecida e estão sujeitas a riscos elevados, especialmente diante da imprevisibilidade quanto à duração dos conflitos internacionais e seus efeitos sobre a economia global.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Dados recentes mostram que a prévia da inflação, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, acumulando alta de 4,37% em 12 meses, próximo ao teto da meta oficial.
Pelo sistema de metas contínuas, em vigor desde 2025, a inflação deve permanecer em torno de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional. No entanto, projeções do mercado financeiro indicam que o índice pode encerrar o ano acima do limite superior da meta.
Além do cenário econômico, o Copom também enfrenta desafios internos. O colegiado teve baixas recentes, com o fim do mandato de dois diretores e a ausência de outro integrante na reunião mais recente, o que reduz temporariamente sua composição.
Especialistas avaliam que, embora o corte de juros estimule o consumo e a atividade econômica ao baratear o crédito, ele também exige maior atenção ao comportamento dos preços. Nesse contexto, o Banco Central sinaliza que seguirá monitorando os indicadores econômicos antes de definir os próximos passos da política monetária.
A próxima divulgação do Relatório de Política Monetária, prevista para o fim de junho, deve trazer novas projeções e indicar os rumos da estratégia da autoridade monetária diante das incertezas atuais.





























































