A Venezuela voltou a registrar um tremor de terra nesta segunda-feira, 29 de junho, em meio à sequência de abalos sísmicos que atingem o país desde o último fim de semana e agravam a crise humanitária provocada pelos terremotos mais fortes da região em mais de um século.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o novo tremor teve magnitude 4,6 e foi registrado em Caraballeda, no litoral norte venezuelano, a cerca de 30 quilômetros da capital, Caracas. O abalo ocorreu às 7h no horário local (8h em Brasília).
De acordo com autoridades venezuelanas, até o momento não há registro de novos danos relacionados ao tremor desta segunda-feira. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que não foram identificadas ocorrências imediatas após o evento sísmico.
O novo abalo ocorre em uma sequência de tremores secundários que vêm sendo registrados nos últimos dias. Na sexta-feira (26), outro tremor de magnitude semelhante foi sentido no país, enquanto no domingo (28) foram registrados eventos de 4,2 e 4,5 graus.
Os abalos seguem ocorrendo enquanto equipes de resgate nacionais e internacionais atuam em operações intensas para localizar sobreviventes entre os escombros deixados pelos terremotos principais. A situação é considerada crítica, com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) apontando cerca de 50 mil desaparecidos.

Mesmo com a redução das chances de sobrevivência a cada hora, equipes ainda conseguem resgatar pessoas com vida em meio aos destroços. No domingo, o governo informou que ao menos 33 sobreviventes foram localizados.
Especialistas destacam que as primeiras 48 a 72 horas após desastres desse tipo são decisivas para o resgate de vítimas. Após esse período, as buscas passam a se concentrar, em grande parte, na recuperação de corpos.
As operações enfrentam condições adversas, como calor intenso e forte odor em áreas de destruição, além da complexidade estrutural dos desabamentos. Em meio às dificuldades, voluntários também seguem atuando nos trabalhos de busca, mesmo com a redução das expectativas de sobrevivência.
Em Tucacas, no litoral venezuelano, voluntários continuam participando das buscas. “Todos dizem que não há mais ninguém, mas continuamos aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém”, relatou à agência AFP o trabalhador rural Eduardo Cardozo, que se deslocou para auxiliar nos resgates.
Na região de La Guaira, uma das mais afetadas, missões internacionais começaram a chegar com reforços no último domingo. A atuação ocorre em meio a críticas da população local sobre a resposta inicial às tragédias, que em alguns momentos foi conduzida por civis antes da chegada de equipes especializadas.
O governo venezuelano informou que mais de 770 edifícios foram parcial ou totalmente destruídos, incluindo residências, prédios comerciais e unidades hospitalares. A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que as operações de busca e assistência continuam e que medidas estão sendo adotadas para acolher famílias que perderam suas moradias.
Segundo estimativas da ONU, os terremotos iniciais afetaram cerca de 6,8 milhões de pessoas em todo o país, dentro de uma população de aproximadamente 30 milhões. Autoridades alertam que o risco de novos danos persiste devido à continuidade dos tremores secundários registrados na região.





























































