O governo do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo em vigor entre os dois países após ataques realizados por forças americanas na província de Hormozgan, no sul iraniano. A denúncia foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano em comunicado divulgado nesta terça-feira, 26 de maio.
Segundo Teerã, as ações militares ocorreram nas últimas 48 horas e representam uma “grave violação” do acordo firmado entre as partes. O governo iraniano responsabilizou diretamente os Estados Unidos pelas consequências do episódio, classificando a ofensiva como “agressiva e injustificada”.
Antes do posicionamento oficial do ministério, a Guarda Revolucionária do país já havia se manifestado por meio da mídia estatal, afirmando que o Irã se reserva o direito “legítimo e definitivo” de responder a qualquer quebra do cessar-fogo. A corporação também declarou que sistemas de defesa aérea teriam abatido um drone americano do tipo MQ-9 e reagido à incursão de um caça no espaço aéreo iraniano.
O líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, elevou o tom do discurso ao afirmar, em mensagem publicada em canal oficial, que não há possibilidade de recuo diante das tensões. Ele também declarou que países da região não servirão mais como base de apoio para operações militares americanas.
Do lado norte-americano, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos informou que as ações na região foram conduzidas em caráter de autodefesa, sem detalhar alvos ou resultados da operação.

O cessar-fogo entre os dois países está em vigor desde o dia 8 de abril, enquanto avançam negociações diplomáticas para um acordo definitivo que encerre o conflito, iniciado no fim de fevereiro.
Nesse contexto, representantes iranianos participaram de reuniões em Doha, no Catar, na segunda-feira (25), com autoridades locais, incluindo o primeiro-ministro do país. A delegação foi liderada por Mohammad Baqr Qalibaf e incluiu o chanceler iraniano e o presidente do Banco Central.
Entre os principais pontos em discussão está a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior — considerado um dos últimos entraves para a conclusão de um possível acordo.
Relatos de agências de notícias iranianas indicam que o desbloqueio dos recursos é peça-chave para a assinatura de um memorando de entendimento entre as partes.
A tensão aumentou ainda mais após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu condicionar um eventual acordo de paz com o Irã à adesão de países árabes aos chamados Acordos de Abraão.
Apesar dos avanços diplomáticos, o episódio desta semana evidencia a fragilidade do cessar-fogo e reforça as incertezas em torno de um acordo duradouro entre os dois países.































































