A Petrobras afirmou nesta sexta-feira, 3 de abril, que não há defasagem em seus preços de combustíveis e reiterou que sua política de reajustes não segue uma periodicidade fixa em relação ao mercado internacional. A manifestação foi feita em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários, que solicitou esclarecimentos após a divulgação de informações sobre possível descompasso nos valores praticados pela estatal.
O questionamento teve origem em uma reportagem que citava dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis, segundo os quais o diesel estaria sendo vendido pela Petrobras com defasagem de 86% em relação à paridade internacional, enquanto a gasolina apresentaria diferença de 64%.
Em resposta, a companhia afirmou não reconhecer os cálculos divulgados pela entidade e destacou que sua política comercial considera fatores internos, como custos de refino e logística, além das condições do mercado. A estatal ressaltou que os reajustes são realizados sem frequência definida, com base em análises técnicas e dentro das diretrizes de governança corporativa.
“A política de preços evita o repasse imediato da volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio ao consumidor”, informou a empresa, ao destacar que essa estratégia busca reduzir impactos bruscos nos preços domésticos.

A Petrobras também citou medidas recentes adotadas para o diesel, como o aumento de R$ 0,38 por litro no valor de venda às distribuidoras. Além disso, a companhia ressaltou sua adesão ao programa de subvenção do governo federal, que prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias. Segundo a estatal, o efeito combinado das duas iniciativas representa um impacto equivalente a R$ 0,70 por litro.
O posicionamento ocorre em meio a preocupações de investidores sobre uma possível influência do governo federal na política de preços da companhia. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o resultado de um leilão de gás de cozinha promovido pela estatal, classificando-o como “bandidagem” após registrar ágios superiores a 100%.
Desde 2023, a Petrobras deixou de adotar a política de paridade internacional, que alinhava automaticamente os preços domésticos aos valores do mercado externo. O modelo anterior era alvo de críticas do governo federal, que defendia maior flexibilidade para evitar impactos diretos das oscilações internacionais sobre o consumidor brasileiro.
Com a mudança, a empresa passou a adotar reajustes graduais, buscando equilibrar sua sustentabilidade financeira com a estabilidade de preços no mercado interno. A estatal reforçou que continuará monitorando o cenário global e realizando ajustes quando considerar necessário, sem compromisso com periodicidade fixa.





























































