O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou o Irã nesta quinta-feira, 26 de março, para que leve “a sério” um possível acordo de cessar-fogo, em meio à escalada de um conflito que já se aproxima de quatro semanas e amplia seus efeitos econômicos e humanitários em escala global.
A declaração ocorre após o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmar que Teerã analisa uma proposta apresentada pelos Estados Unidos, mas negar que existam negociações formais em andamento. Segundo ele, o país mantém a estratégia de resistência e defesa, sem intenção de iniciar diálogo direto neste momento.
“Mensagens sendo transmitidas por meio de países amigos não configuram negociação”, afirmou Araqchi em entrevista à televisão estatal iraniana.
Apesar da negativa oficial, canais indiretos de comunicação seguem ativos. De acordo com autoridades, mensagens entre Washington e Teerã têm sido intermediadas pelo Paquistão, com apoio de outros países como Turquia e Egito, que tentam viabilizar uma solução diplomática para o conflito.
Em publicação na rede Truth Social, Trump elevou o tom ao afirmar que o Irã teria sido “militarmente obliterado” e estaria “implorando” por um acordo. O presidente norte-americano também fez críticas aos negociadores iranianos e afirmou que Teerã precisa agir rapidamente para evitar consequências mais graves.

Enquanto isso, os termos propostos pelos Estados Unidos indicam um cenário de negociação difícil. A proposta inclui pontos considerados sensíveis pelo governo iraniano, como o desmantelamento do programa nuclear, restrições ao desenvolvimento de mísseis e mudanças no controle do estratégico Estreito de Ormuz.
Por outro lado, o Irã tem endurecido sua posição, exigindo garantias contra novas ações militares, compensações por perdas e maior controle sobre a região. O país também defende a inclusão do Líbano em qualquer eventual acordo de cessar-fogo.
O conflito, iniciado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano em fevereiro, continua a se intensificar. Nesta quinta-feira, o Irã lançou novas ondas de mísseis contra cidades israelenses, incluindo Tel Aviv, deixando ao menos cinco pessoas feridas.
Em território iraniano, ataques atingiram áreas residenciais em Bandar Abbas e nos arredores de Shiraz, onde duas pessoas morreram. Um prédio universitário na cidade de Isfahan também teria sido atingido. Autoridades israelenses afirmaram ter eliminado um comandante naval da Guarda Revolucionária do Irã e indicaram que novas ações militares seguem em planejamento.
Apesar da intensificação dos combates, movimentações diplomáticas continuam em curso. Segundo fontes, nomes importantes da liderança iraniana, como o próprio Araqchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, teriam sido retirados de possíveis alvos militares após articulação diplomática envolvendo o Paquistão. Analistas avaliam, no entanto, que um acordo de cessar-fogo ainda enfrenta grandes obstáculos, diante das exigências rígidas apresentadas por ambos os lados e do cenário de desconfiança mútua.
Enquanto isso, os impactos do conflito já se refletem na economia global, com a escassez de combustível afetando cadeias produtivas e pressionando países e empresas a conter os efeitos da crise.






























































