Em pouco mais de três anos de mandato, o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já acumula mais de R$ 7,35 bilhões em despesas com viagens a serviço. Os dados, disponíveis no Portal da Transparência, incluem custos com passagens aéreas, diárias e outras despesas reembolsáveis de servidores públicos federais.
O levantamento considera o período desde o início da atual gestão, em 2023, e não inclui deslocamentos do presidente da República, que utiliza aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) em compromissos oficiais.
Os gastos se mantiveram em patamar elevado ao longo dos anos. Em 2023, primeiro ano do mandato, foram registrados R$ 2,29 bilhões. Em 2024, o valor chegou a R$ 2,38 bilhões, seguido por R$ 2,46 bilhões em 2025. Já nos quatro primeiros meses de 2026, as despesas somam R$ 233,71 milhões em viagens já concluídas.
A maior parte dos recursos foi destinada ao pagamento de diárias, que totalizam R$ 4,26 bilhões no período. Já os gastos com passagens aéreas alcançaram R$ 2,1 bilhões. As viagens nacionais concentram a maior fatia das despesas, com R$ 4,42 bilhões, enquanto os deslocamentos internacionais somam aproximadamente R$ 2,93 bilhões.
Entre os trechos mais utilizados no país, destaca-se a rota Brasília–Rio de Janeiro, com mais de 104 mil passagens emitidas. O maior valor registrado nesse trajeto foi de R$ 9.958,95. Em seguida, aparece o trecho Brasília–São Paulo, com mais de 88 mil bilhetes, cujo maior custo individual chegou a R$ 13.397,12.
No cenário internacional, destinos como Lisboa, Washington e Genebra estão entre os mais frequentes. O maior valor pago por uma passagem foi registrado em viagem para a capital dos Estados Unidos, custando R$ 85.466,32.
Os gastos foram realizados por diversos órgãos federais, com destaque para os ministérios da Justiça, Educação, Defesa, Gestão, Fazenda e Meio Ambiente, que concentram a maior demanda por deslocamentos.
Na comparação com gestões anteriores, o atual governo apresenta o maior volume de despesas com viagens a serviço. Entre 2019 e 2022, durante a administração de Jair Bolsonaro, os gastos totalizaram R$ 4,15 bilhões. Já entre 2015 e 2018, nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, o montante foi de aproximadamente R$ 5 bilhões.
Especialistas apontam que a redução observada durante o governo Bolsonaro foi influenciada pelas restrições impostas pela pandemia de Covid-19, que limitou deslocamentos nacionais e internacionais, impactando diretamente os custos com viagens oficiais.
Os valores apresentados não consideram correção inflacionária ao longo dos anos. Procurado, o governo federal ainda não se manifestou sobre os dados.





























































