A proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) trouxe à tona a menção a um suposto contrato de R$ 50 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Apesar das citações, o acordo foi rejeitado pelas autoridades por falta de elementos considerados relevantes para o avanço das investigações.
A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, nesta quarta-feira, 3 de junho. Segundo a publicação, o documento foi elaborado semanas antes da prisão de Vorcaro, ocorrida no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na véspera da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master.
A primeira versão da delação foi oficialmente rejeitada no último dia 20 de maio. De acordo com a PF, o material apresentado não trouxe contribuições suficientes para esclarecer as suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira. Diante disso, a defesa do banqueiro protocolou uma nova proposta nesta semana, que agora será analisada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

As investigações já haviam identificado, em dezembro do ano passado, a existência de um contrato formal entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, podendo alcançar o montante de R$ 130 milhões. Os dados foram obtidos pela PF a partir da análise de um dos celulares apreendidos com Vorcaro durante a operação Compliance Zero.
Segundo apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime, no Senado Federal, cerca de R$ 80 milhões teriam sido pagos ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, correspondendo a 22 das 36 parcelas previstas em contrato. O serviço incluía a atuação junto a órgãos como o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal.
Além desse contrato, a delação mencionava a tentativa de firmar um segundo acordo, estimado em R$ 50 milhões, que teria sido articulado em agosto do ano passado. No entanto, conforme declarado à reportagem, o escritório de Viviane Barci de Moraes negou a concretização desse novo contrato.
Em nota, a defesa da advogada afirmou que não houve formalização de qualquer outro vínculo com Vorcaro ou suas empresas. “Não foi celebrado nenhum novo contrato, tampouco houve prestação de serviços ou recebimento de honorários”, declarou.
O caso segue sob investigação e depende agora da análise da nova proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro, que busca avançar em um possível acordo com as autoridades.






























































