Documentos enviados pela Receita Federal do Brasil à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado indicam que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados recebeu R$ 40,11 milhões do Banco Master ao longo de 2024.
O escritório tem como uma das sócias a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Os dados constam em declaração de Imposto de Renda apresentada pelo banco, cujo sigilo fiscal foi quebrado no âmbito da investigação conduzida pela comissão.
De acordo com as informações, o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,5 milhões, com valor total estimado em R$ 129 milhões ao longo de três anos. Ainda conforme os registros, foram realizados 11 repasses mensais em 2024, cada um no valor de R$ 3.646.529,72.
Durante sessão no Senado nesta terça-feira, 7 abril, o relator da CPI, Alessandro Vieira, afirmou que os dados inicialmente enviados pela Receita estavam incompletos e que foi necessária a solicitação de complementação das informações. Segundo ele, os valores levantados levantam questionamentos sobre a natureza dos serviços prestados.

“Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor”, disse o senador.
Procurado, o escritório Barci de Moraes afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente”, destacando que os dados fiscais são protegidos por sigilo. A banca não informou qual seria o valor correto dos pagamentos. Até a última atualização desta reportagem, o ministro Alexandre de Moraes não havia se manifestado.
O contrato entre o banco e o escritório foi firmado em 2024 e previa 36 pagamentos. No entanto, foi interrompido em novembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso na ocasião. A defesa do empresário também não se pronunciou.
Em manifestação anterior, o escritório informou que prestou serviços de consultoria e assessoria jurídica ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período em que realizou 94 reuniões de trabalho, sendo a maioria presencial. A banca também declarou ter produzido 36 pareceres técnicos sobre temas como compliance, regulação e questões trabalhistas.
A CPI do Crime Organizado deve ser encerrada na próxima terça-feira (14), com a votação do relatório final. O relator solicitou a prorrogação dos trabalhos, mas o pedido foi negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sob a justificativa do calendário eleitoral. O parlamentar criticou a decisão, classificando-a como prejudicial ao andamento das investigações.





























































